5 Bons Filmes Estrangeiros Esnobados Pelo Oscar


Uma categoria bastante disputada e discutida nas edições do Oscar é a de Melhor Filme Estrangeiro. É costume dos cinéfilos fazer uma maratona para conhecer as obras indicadas, prestigiando e conhecendo mais da cultura e do cinema ao redor do mundo. Evidentemente algumas obras possuem maior destaque, por figurarem entre os finalistas da categoria, mas existem dezenas de filmes que ficam pelo caminho, selecionados na pré-lista de cada país inscrito, mas que não ganham destaque na noite da premiação.

Dito isso, listo aqui 5 longas que não chegaram na "grande final" e passaram despercebidos por boa parte do público, mas que merecem a sua atenção.


O Motorista de Táxi
(Taeksi woonjunsa, 2017) - Coréia do Sul


O Motorista de Táxi, filme dirigido por Hun Jang (Reunião Secreta), foi o representante da Coréia do Sul na corrida pelo Oscar 2018. Man-seo (Kang-ho Songé um motorista que vive sozinho com a sua filha em Seul. Em meio as dificuldades da época (o longa se passa em 1980), o próprio se encontra em uma situação nada confortável e prezando pelo futuro da filha. Sendo assim, sai à procura de viagens de táxi que possam vir a render um pouco mais de dinheiro. Ao ouvir que um estrangeiro iria até a cidade de Gwangju, rapidamente procura uma maneira de levá-lo. Entretanto, não sabia o caos político que a cidade estava enfrentando, e que seu cliente é um jornalista alemão que estava lá justamente para cobrir os eventos da Revolta de Gwangju.

A obra é poderosa no que se diz respeito as tramas políticas que são evidenciadas. Um povo que sofre por estar excluído de tudo e por estar morrendo sem precisão e entendimento. O motorista se encontra no fogo cruzado de toda essa experiência, ofegante do fato de que pode não conseguir voltar para sua amada filha. Vale ressaltar que o longa é baseado em fatos reais, o que deixa a história ainda mais curiosa. Tenho plena certeza de que irão amar esta obra sul-coreana.


Mad World
(Yat Nim Mou Ming, 2016) - Hong Kong


Mad World, filme dirigido por Chun Wong (6th March) foi o pré selecionado da China para o Oscar (mais precisamente de Hong Kong, entrando naquela velha discussão de país independente ou não). A narrativa é centrada em um pai e um filho que possuem um relacionamento quebrado após um certo acontecimento que devastou a família em um todo. Sofrendo de transtorno bipolar, Wong Sai Tung (Shawn Yue), volta para a casa do pai, Wong Tai Hoi (Eric Tsang), e eles necessitam morar juntos, em condições nada favoráveis e com o filho ainda sofrendo de problemas por causa da doença. 

Trata-se de uma obra extremamente dolorosa, pois mostra a forma como as pessoas que vivem ao redor de alguém que possui bipolaridade reagem a todo esse processo, e como isso afeta a pessoa portadora da doença. O filme é o primeiro trabalho do diretor, que entrega uma história real, necessária e, principalmente, que passa uma mensagem de aceitações na sociedade. Ótimo para quem gosta de longas que focam em personagens e atuações memoráveis.


Newton 
(idem, 2017) - Índia


Newton, filme dirigido por Amit Marsukar (Sulemani Keeda), foi o representante da Índia em 2018. Newton Kumar (Rajkummar Rao) é um funcionário do governo que foi designado para trabalhar nas eleições do país. Ao se voluntariar, o rapaz é selecionado para trabalhar em uma selva (local em que as guerrilhas comunistas estavam instaladas), onde a maioria dos habitantes não são alfabetizados, passam dificuldades e que, na maioria das vezes, não chegam nem a votar. Tentando cumprir com lealdade à sua bandeira, e por acreditar na democracia como um método de melhoria para o futuro, o protagonista tenta de diversas formas realizar as eleições de uma forma justa e correta. 

O roteiro é repleto de humor negro, tomando como ponto de análise as eleições e o quanto a ação reflete nos cidadãos. A narrativa é totalmente voltada para a realidade do país, mas pode facilmente servir como base para outras nações que passam pelos mesmos problemas, quando a democracia no voto pode ser diferente do que a maioria das pessoas enxergam.


Her Love Boils Bathwater
(Yu wo wakasuhodo no atsui ai, 2016) - Japão


Her Love Boils Bathwater é um filme dirigido por Ryôta Nakano (Chihi o tori ni) e representava o Japão na tentativa do Oscar. Antes de entrar em detalhes a respeito, já confesso que trata-se do filme que mais me fez chorar entre todos os citados nessa lista. A obra sabe tocar na ferida lá no fundo, de uma maneira que te faz repensar diversas escolhas que naturalmente fazemos em nosso dia a dia. 

Na trama, uma mãe descobre que tem câncer terminal e que tem pouco tempo de vida. Sem rumo e sem entender o que estava realmente acontecendo, ela decide aproveitar o pouco tempo que lhe resta reunindo a família (o pai havia saído de casa), retomando o próprio negócio e fazendo uma viagem que sua filha sempre sonhara. 

A obra se desenrola tão bem que as 2 horas de projeção passam suavemente nas dramatizações que os personagens estão encarando, com um sentimento próximo de perda e também com medo do que futuro que os espera. Cinema japonês na sua melhor essência.


Mulheres Divinas
(Die göttliche Ordnung, 2017) - Suíça


Mulheres Divinas, filme dirigido por Petra Biondina Volpe (Traumland) e representante da Suíça. A personagem principal é Nora (Marie Leuenberger), uma jovem mulher, casada, com dois filhos e que vive num pequeno vilarejo. Sua vida, até então, era bastante pacata, até que ela resolve, em meio as contradições da época, organizar um movimento feminino para que as mulheres possam votar nas eleições de fevereiro de 1971. 

O mais importante da obra é ressalte ao poder das mulheres, seja individualmente ou coletivamente, retratando movimentos sociais de extrema força e importância. Um longa que fala sobre amor próprio, respeito, garra, luta e de empoderamento feminino. Importantíssimo.


Gostaram das indicações? Espero que desfrutem da melhor maneira possível. Os indicados são muitos, porém escolhi os filmes que mais me agradaram. Se você assistiu alguma obra um pouco mais desconhecida ultimamente, deixa a indicação nos comentários. Com certeza me informarei a respeito e, caso ainda não tenha assistido, irei fazê-lo.

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