CRÍTICA | Missão: Impossível - Efeito Fallout


Direção: Christopher McQuarrie
Roteiro: Christopher McQuarrie
Elenco: Tom Cruise, Henry Cavill, Rebecca Ferguson, Simon Pegg, Ving Rhames, Angela Bassett, Alec Baldwin, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018

Atenção! Essa crítica contém spoilers.

A indústria cinematográfica é fomentada por muitas franquias de sucesso, principalmente no gênero de ação. Uma saga que vem tendo grande êxito é Missão: Impossível, que nasceu com a série homônima de Bruce Geller, nos anos 60, e teve continuidade com o lançamento de seu primeiro filme, em 1996, sob a direção do consagrado Brian De Palma (Scarface). Eis que chegamos a sexta aventura do agente secreto mais carismático, ágil e tresloucado de Hollywood, prometendo emoção e habitual intensidade proposta pela safa.

Missão: Impossível - Efeito Fallout (Mission: Impossible - Fallout) é dirigido e roteirizado por Christopher McQuarrie (A Sangue Frio) - o mesmo responsável pelo anterior, Nação Secreta - e apresenta um plano diabólico arquitetado pelos intitulados "Apóstolos", cujo antigo líder é o ex-agente e terrorista Solomon Lane (Sean Harris). Tais vilões, sob o comando do antigo mestre, roubam três núcleos de plutônio na intenção de construir ogivas que causarão um desastre nuclear sem proporções. Para evitar tal catástrofe, o agente Ethan Hunt (Tom Cruise) retorna, aliado com sua equipe composta por Benji (Simon Pegg), Luther (Ving Rhames) e a enigmática Ilsa Faust (Rebecca Ferguson). Porém, o grupo é obrigado a contar com a participação de August Walker (Henry Cavill), um agente da CIA enviado para vigiá-los.

Foto: Paramount Pictures

Logo no primeiro ato o roteiro nos surpreende, com Ethan salvando a vida de Luther e falhando na missão de apreender o plutônio. Tal premissa não apenas mantém a essência da franquia, que não abre mão de muita ação, perseguições em grandes cenários e Tom Cruise (Oblivion) protagonizando momentos mirabolantes, como também dá continuidade aos eventos do longa anterior, com o protagonista sendo assombrado pelo passado e entendendo estar ponto em risco a vida de Julia (Michelle Monaghan), sua amada ex-esposa. A cena do pesadelo, quando vemos os dois casando sob as ameças de Solomon, dá o tom do que virá pela frente.

McQuarrie mostra que sua experiência com o filme anterior permitiu que entregasse aqui uma obra de ação digna dos melhores capítulos da franquia, com elementos típicos de um longa do gênero e com uma premissa sólida. O roteiro bem estruturado e o eficiente trabalho de montagem, que valoriza o elenco e os cenários imponentes em que as cenas se passam (a cena do confronto aéreo entre helicópteros impressiona), são pontos altos do filme. Não se trata de mais do mesmo, mas sim de um autêntico thriller de espionagem, com uma trama envolvente, empolgante e protagonistas humanizados, com motivações claras e capazes de despertar empatia no espectador.

As atuações estão acima da média. Mesmo revivendo o personagem que já interpretou cinco vezes, Tom Cruise mostra que não perdeu a mão, mantendo seu carisma e conexão habitual com o público, mas também trazendo o realismo e o impacto que as ações de Ethan Hunt precisam passar, boa parte delas filmadas em planos longos, valorizando a presença do ator. Henry Cavill (O Homem de Aço), por sua vez, faz um trabalho eficiente, mostrando-se enigmático à princípio, para posteriormente revelar-se cúmplice de Lane. O ator surpreende e demonstra evolução na função, apresentando um personagem que se torna marcante dentro do contexto da franquia, sem ser canastrão.

Foto: Paramount Pictures

Devo destacar ainda o trabalho de Rebecca Ferguson (O Rei do Show), que apresenta uma performance superior a do filme anterior, visto que sua personagem ganha mais desenvolvimento e nuances, se tornando peça-chave para o sucesso da missão que parecia ser impossível (como de costume), especialmente na reta final, quando tem que enfrentar Lane e auxiliar Benji na desativação da bomba nuclear. Simon Pegg (Além da Escuridão: Star Trek), aliás, continua ótimo como o principal alívio cômico da trama.

Apesar do 3D desnecessário que nada acrescenta a narrativa, e do uso de alguns clichês batidos, Missão: Impossível - Efeito Fallout se mostra um filme de tirar o fôlego, com cenas de ação muito bem elaboradas, uma trilha sonora vibrante, um roteiro que permite reviravoltas surpreendentes e, principalmente, personagens capazes de se relacionar com o público. Uma aventura que vale cada minuto investido.

Ótimo

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