CRÍTICA | Slender Man: Pesadelo Sem Rosto


Direção: Sylvain White
Roteiro: David Birke
Elenco: Joey King, Julia Goldani Telles, Javier Botet, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018

Atenção! Essa crítica contém spoilers.

Investir em uma lenda urbana que instituiu uma figura folclórica na internet é um passo um tanto arriscado. Criado inicialmente por meio de uma creepypasta, em 2009, Slender Man é definido como um homem de corpo esguio, de terno, pálido e sem rosto, sempre associado à floresta, cujo costume é perseguir e sequestrar crianças e adolescentes. A figura ganhou popularidade em 2014, quando um crime ocorrido nos Estados Unidos ganhou as manchetes: Anissa Weier e Morgan Geyser, que afirmavam ter sido influenciadas por pesadelos com Slender Man, levaram uma colega de classe para uma floresta e a atingiram com 19 facadas, tendo a garota sobrevivido.

Pegando carona no misticismo criado em torno do "personagem", Slender Man: Pesadelo Sem Rosto (Slender Man), filme dirigido por Sylvain White (Os Perdedores), conta a história de quatro amigas que assistem a um vídeo proibido na internet. Elas acabam abrindo as portas para um mundo sobrenatural, onde coisas estranhas e improváveis acontecem, rumando para um caminho que parece sem volta. Hallie (Julia Goldani Telles), Wren (Joey King), Chloe (Jaz Sinclair) e Katie (Annalise Basso) terão que encontrar formas para se livrarem de Slender Man e continuarem vivas. 

Foto: Sony Pictures

O roteiro apresenta uma premissa simples, mas que encontra problemas em sua execução. O primeiro ato é demasiadamente rápido e tedioso, sem desenvolver os personagens, se rendendo a jump scares para causar os sustos que antecipam o desaparecimento da primeira garota, Katie. Infelizmente o segundo ato insiste nos mesmos recursos, escancarando que falta argumento para um filme de terror coeso.

O aspecto visual convence muito em função da escura fotografia, que ajuda a criar um ambiente sombrio e apreensivo. No entanto, os rumos que a narrativa toma e as soluções encontradas para o conflito final são decepcionantes. As personagens Wren e Hallie acabam dividindo os holofotes. A primeira devido a um complexo de culpa por ter evocado a figura de Slender Man, já a segunda, desesperada por ser perseguida pela criatura em todos os cantos, sofre uma reação para lá de exagerada, com seu corpo trêmulo e galhos saindo de dentro de si, enrolando e apertando seu abdômen. Tratam-se de cenas que deveriam causar desconforto, mas que por conta dos efeitos digitais que deixam a desejar, acabam soando hilárias.

Um terror voltado para o público adolescente, assim posso definir Slender Man: Pesadelo Sem Rosto, um longa que não soube aproveitar uma história popular e que poderia render bons frutos. Apresenta um roteiro que não é claro em sua proposta, sem definir se deseja apresentar ou esconder o monstro, além de apresentar um fraco desfecho. Hallie na floresta, tentando se entregar a criatura, resulta em uma perseguição e aprisionamento em uma árvore, presa aos galhos do mostro e as folhas, tornando-a "invisível". Uma obra de sustos fáceis, mas que se torna esquecível no momento em que você deixa a sala do cinema.

Foto: Sony Pictures


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