CRÍTICA | Alfa


Direção: Albert Hughes
Roteiro: Daniele Sebastian Wiedenhaupt
Elenco: Kodi Smit-McPhee, Jóhannes Haukur Jóhannesson, Natassia Malthe, Morgan Freeman, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018


O que você acharia de uma história que revela as origens do encontro entre o homem e seu melhor amigo animal durante a Idade do Gelo? Dirigido por Albert Hughes (O Livro de Eli), Alfa (Alpha) nos apresenta a uma jornada épica, que retrata a fase de amadurecimento de um protagonista, acuado e desafiado por uma enorme adversidade, com o desafio de juntar forças para se sobressair.

A narrativa é ambientada na Europa, mais precisamente há 20 mil anos, com os humanos se organizando em tribos para garantir a própria subsistência. O jovem Keda (Kodi Smit-McPhee) é filho do líder da tribo, e sua coragem é posta à prova. Ele terá que passar por atividades que demonstrem destreza, concentração e agilidade, mas um evento trágico muda o curso de sua história.

Após cair de um penhasco e se perder da tribo, Keda precisa sobreviver em meio a paisagens selvagens e achar o caminho de volta para casa. Ao ser atacado por uma matilha de lobos, ele consegue escapar ferindo um deles, mas toma a decisão de não matá-lo. O jovem então passa a cuidar do animal, construindo aos poucos uma relação de amizade bastante improvável para tempos tão selvagens.

Foto: Sony Pictures

Se de início nos deparamos com um conflito de gerações, com um pai guerreiro já consolidado e um filho que ainda precisa se afirmar, aos poucos somos impactados com uma lição de coragem do protagonista, mostrando que é possível reconhecer uma pessoa diante dos desafios impostos, as dificuldades confrontadas e as pessoas que estão em volta dele. A capacidade de aprendizado, amadurecimento e iniciativa de Keda são gratas surpresas na trama, além do grande arco dramático desenvolvido.

No tocante à figura do lobo, nota-se uma domesticação do animal, com comportamentos assemelhados a de um cão, numa narrativa infantil e inocente. A partir dessa relação entre homem e lobo, a dramaticidade praticamente desaparece e recursos utilizados para representar perigos da natureza são falhos, sendo possível enxergar o famoso fundo verde em dados momentos. Ocasiões como o perigo no gelo e a própria queda do penhasco não soam verossimilhantes, mas o perigo que o lobo também passa, servindo de espelho para Keda, acaba tornando o filme corajoso e relevante dentro desse ponto de vista.

Se parte técnica deixa a desejar em alguns momento, o certo é que Alfa oferece ao espectador uma fábula envolvente, imagética e sensível, despertando reflexão e os melhores sentimentos em quem acompanha uma história de persistência, lealdade e gratidão. Uma ótima opção de entretenimento, que deve ter um significado especial para aqueles que têm um cãozinho.

Foto: Sony Pictures


Ótimo

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