CRÍTICA | O Homem Perfeito

Direção: Marcus Baldini
Roteiro: Tati Bernardi e Patricia Corso
Elenco: Luana Piovani, Marco Luque, Sergio Guizé, Juliana Paiva, Eduardo Sterblitch, entre outros
Origem: Brasil
Ano: 2018


O Homem Perfeito, estrelado por Luana Piovani (A Mulher Invisível) e dirigido por Marcus Baldini (Bruna Surfistinha), é mais uma comédia nacional entre tantas. A obra conta a história de Diana (Piovani), uma mulher bem-sucedida de 42 anos, que acaba de descobrir a traição do marido, Rodrigo (Marco Luque). Com o casamento arruinado, ela não aceita o fato de que foi trocada por uma mulher mais nova e acaba criando um perfil fake de um suporto homem perfeito para seduzir Mel (Juliana Paiva), o novo caso amoroso de seu ex-marido. 

Mesmo tendo uma carreira de sucesso, Diana é uma ghost-writer que sofre com a falta de reconhecimento. Acostumada a escrever biografias, seu novo desafio é abafar todas as polêmicas do roqueiro Caíque (Sérgio Guizé) e transformá-lo em uma pessoa digna de empatia. Quando o artista desequilibrado entra em cena, a protagonista sente-se afrontada constantemente por um estilo de vida totalmente oposto da que está acostumada. 

Ainda que seja divertido acompanhar a relação ácida entre Diana e Caíque, é maçante ver o quanto a personagem é definida por um estereótipo feminista. O longa-metragem, que, vale citar, é roteirizado por duas mulheres - Tati Bernardi (Meu Passado Me Condena: O Filme) e Patricia Corso (Samantha! - apresenta diversos momentos que, supostamente, deveriam servir para classifica-lo como peça de apoio a causa, mas isso se esvai em cada diálogo proferido pelos personagens.

Foto: Downtown Filmes

A obra baseia-se especialmente na dinâmica da rotina de qualquer um de nós em tempos atuais, separados por duas realidades: a vida real e a vida que acontece dentro do celular. Sem o uso da tecnologia, a narrativa de O Homem Perfeito não seria possível.

Ainda que apresente falhas e um desfecho bastante previsível, o longa consegue apresentar quatro personagens consistentes e  verdadeiramente interessantes, cada qual com sua peculiaridade e desenvolvimento singular. A exceção talvez seja Rodrigo, que se mostra um cartunista sem qualquer ambição para o futuro.

No fim, fica um sentimento de pesar pela protagonista, que acaba se rendendo ao clichê da mulher controladora e frágil que fica a espera de um homem para afrontá-la. Para ela, são apresentadas apenas duas possibilidades: um roqueiro bagunceiro, com dificuldades de se relacionar a sério com uma mulher e o ex-esposo, acomodado e confortável demais para sair do lugar. E é justamente essa busca pelo título do filme, o tal homem perfeito, que não conversa com as ideias de uma sociedade moderna que tanto falamos atualmente.

Foto: Downtown Filmes


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