Primeiras Impressões | Assédio


Em meio a tantas reformulações de conteúdo, surge uma série diferente não só em sua estética e conteúdo, como também em sua forma de exibição. Assédio, de Maria Camargo (Nise: O Coração da Loucura), se propõe a trazer uma discussão relevante, atual e necessária para a sociedade. O Cinéfilo em Série foi convidado pela Rede Globo para assistir o episódio piloto da produção, que estará a disponível hoje (21/09) para os assinantes da plataforma de streaming Globoplay

Escrita por Bianca Ramoneda, Fernando Rebello e Pedro de Barros, a obra é livremente inspirada no livro “A Clínica: A Farsa e os Crimes de Roger Abdelmassih”, de Vicente Vilardaga, e conta a história de uma série de vítimas que foram abusadas sexualmente pelo médico Roger Salada (Antonio Calloni) durante o processo para conseguirem engravidar.

A narrativa se passa em duas linhas do tempo diferentes, entre 1994 e 2007, baseando-se no drama de cinco mulheres - Stela (Adriana Esteves), Eugênia (Paula Possani), Maria José (Hermila Guedes), Vera (Fernanda D’Umbra) e Daiane (Jéssica Ellen) - ao mesmo tempo em que explora ações de Salada. 

Foto: Rede Globo

No episódio piloto somos apresentados a um Roger Salada respeitado, religioso, simpático e “de família”. Médico bem-sucedido que está prestes a ganhar um prêmio pela sua atuação na área, quando uma de suas vítimas rompe o silêncio e seus crimes começam a ser expostos, desencadeando uma série de acusações de diversas outras pacientes.

Com 10 episódios, direção-geral de Joana Jabace (Filhos da Pátria), direção de Guto Botelho (Novo Mundo) e direção artística de Amora Mautner (Avenida Brasil), trabalhando pela primeira vez com Maria Camargo, a série propõe um debate sobre esse tema polêmico e busca incentivar a sociedade a não se calar diante de casos como esses.

“Quando a violência gritar, grite!”

Esse é o apelo da nova fase da plataforma Tudo Começa Pelo Respeito, da Rede Globo, que, vale muito a pena destacar, tem na produção de Assédio uma equipe majoritariamente formada por mulheres.

Foto: Rede Globo

Com uma paleta de cores voltada para o vermelho (remetendo a pecado, violência), uma trilha sonora inquietante e uma abertura de arrepiar, Mautner mais uma vez apresenta sua estética aprimorada, representando os abusos sofridos por aquelas mulheres de forma dolorosa, mas imprescindível para a proposta da obra. Segundo ela, o maior desafio foi abordar a pluralidade das vítimas e sobre o tema em si:

“É uma série que não é só comunicativa e objetiva, tem toda essa profundidade quase literária por trás da dor dessas mulheres”, conta Mautner

A produção trata de vítimas que conseguiram passar por cima de toda a dor, sofrimento e humilhação que sofreram para denunciar e bater de frente com um médico abusador, para trazer justiça para suas vidas.

Foto: Nathalia Bottino

Foi como a atriz Monica Iozzi (A Comédia Divina) disse na coletiva, embora seja uma temática triste e violenta, a série celebra a força das mulheres. E pelo que se pode se ver do primeiro episódio, a obra faz isso com maestria.

“O que a gente queria desde o começo é que se falasse sobre isso. É o que a gente quer, que isso entre em debate. É a hashtag #precisamosfalarsobreassedio. Quanto mais se falar sobre essa história, sobre a série, bem ou mal, o que seja, a gente quer que seja falado, porque essa história também é sobre o movimento do silêncio. Um silêncio ensurdecedor. [...]. E essas mulheres conseguiram quebrar esse silêncio. Então a série é sobre isso”, afirmou Maria Camargo. 

Abaixo vocês podem conferir uma coletânea de vídeos da entrevista coletiva de Assédio, que contou com a presença de parte do elenco e equipe criativa da série.


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