CRÍTICA | Halloween


Direção: David Gordon Green
Roteiro: David Gordon Green, Danny McBride e Jeff Fradley
Elenco: Jamie Lee Curtis, Judy Greer, Andi Matichak, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018


Um grande clássico dos slasher movies está de volta. Sucesso em seu lançamento, sob a direção de John Carpenter (Fuga de Nova York), Halloween: A Noite do Terror (1978) apresentou ao mundo um dos mais icônicos serial killers do cinema, um assassino que está sempre à espreita, representando todos os nossos medos. Michael Myers derramou muito sangue em Haddonfield, Illinois, ganhando mais nove sequências, algumas explorando o mito criado em torno de sua imagem, outras em forma de reboots ou remakes da franquia. A aposta da vez ignora todos os filmes anteriores, se propondo a ser uma sequência direta do filme original, 40 anos depois, algo ousado e arriscado para uma franquia de tanto sucesso no gênero.

Halloween, dirigido por David Gordon Green (O Que Te Faz Mais Forte), nos apresenta a uma dupla de jornalistas investigativos, Aaron (Jefferson Hall) e Dana (Rhian Rees), que estão dispostos a publicar uma reportagem sobre os fatos ocorridos no massacre de Haddonfield em 1978. Para isso eles precisam dos relatos de Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), o que não será tarefa fácil, já que a mulher se manteve isolada da família nos últimos anos, transformando sua casa em uma espécie de quartel general para se vingar de Michael Myers (Nick Castle), após saber que o assassino escapou da clínica psiquiátrica em que estava internado. A personagem terá então que se desdobrar para proteger a si mesma, além de sua filha Karen (Judy Greer) e a neta Allyson (Andi Matichak).

Foto: Universal Pictures

O roteiro, assinado pelo próprio Gordon Green e Danny McBride (Alien: Covenant), apresenta premissas interessantes, como a dos dois investigadores que enxergam humanidade em Myers, tentando identificar as causas para seu comportamento perturbado. Além disso, apresenta o elemento da inversão de papéis, com Laurie sendo a predadora e o assassino a presa. É também clara a intenção de homenagear a franquia com algumas referências, como nas cenas que remetem ao hospital psiquiátrico no qual o serial killer esteve recluso, ou mesmo a reconstrução de alguns assassinatos clássicos do ícone.

Quem acompanha a franquia deverá notar a similaridade dessa trama com a de Halloween H20: Vinte Anos Depois (1998), um reencontro de Laurie e Michael durante o aniversário da série de filmes, o que denota falta de originalidade. Tecnicamente falando, a direção até agrada, com alguns planos-sequências marcantes, como o da invasão do assassino em algumas casas, munido de facas ou martelos, mas infelizmente os atrativos param por aí.

Ainda que algumas ideias usadas anteriormente sejam bem reaproveitadas, o filme abusa dos clichês do gênero, cultivados ao longo de 40 anos. A narrativa acaba perdendo o foco, dando espaço a uma desinteressante subtrama envolvendo Allyson e seus amigos, deixando Laurie em segundo plano com suas perturbações e lembranças mórbidas do passado. Talvez uma tentativa de trazer novos personagens à série, mas que não funciona como deveria.

Foto: Universal Píctures

Quem espera por um terror gore pode acabar se decepcionando, já que Michael Myers aparece pouco em tela. A obra acaba prejudicada por um roteiro que parece preso demais as conveniências, com uma resolução de conflito decepcionante. Vale pela nostalgia e pelo retorno de Jamie Lee Curtis (True Lies) às telas, apontada por muitos como a mãe das scream queens dos filmes de horror. Aliás, é ela quem carrega o longa nas costas.

No fim, o novo Halloween soa apenas como uma oportunidade desperdiçada, lamentavelmente.

Regular

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