CRÍTICA | 22 de Julho

Direção: Paul Greengrass
Roteiro: Paul Greengrass
Elenco: Anders Danielsen Lie, Jonas Strand Gravli, Jon Øigarden, Maria Bock, entre outros
Origem: Noruega / Islândia / EUA
Ano: 2018


22 de Julho (22 July) é a nova tentativa da Netflix de emplacar um bom filme baseado em fatos. No entanto, o diretor Paul Greengrass (Capitão Phillips) entrega uma obra tão entediante que nos faz refletir se não teria sido mais conveniente ler sobre os acontecimentos do fatídico dia na Internet, do que propriamente ter assistido ao longa-metragem.

A trama relata um dos maiores atentados que aconteceram na Noruega, mais precisamente na cidade de Oslo, na ilha de Utoya, local onde se concentrava um acampamento de jovens. Foram confirmadas 77 mortes e dezenas de feridos. Um ataque comandado por um único homem, Anders Breikiv (Anders Danielsen Lie), que tinha como objetivo a propagação de suas ideias de extrema-direita, o fim do acordo de imigração e também o banimento do multiculturalismo no país Europeu. 

A obra tem em seus primeiros 30 minutos sua melhor passagem, com o ataque sendo conduzido por Anders. Chega a ser até desconfortante todo esse processo, visto que o diretor não restringe violência, suspense e ação, algumas de suas melhores qualidades, dado o exemplo da franquia Bourne.

Em um primeiro momento é articulada a bomba em frente ao prédio na cidade de Oslo. Logo após a explosão, o terrorista parte até a ilha onde a chacina acontece. O que incomoda aqui é o desconhecimento dos personagens que fariam a diferença no desfecho da história, de forma que o roteiro não constrói nenhuma empatia ou conexão do espectador com aquelas pessoas. Quando Anders é preso, por exemplo, a trama perde demais e o melodrama acaba imperando, em uma tentativa falha de exploração e desenvolvimento narrativo.

Foto: Erik Aavatsmark / Netflix

Já no segundo ato, acompanhamos a recuperação dos sobreviventes e a tentativa dos mesmos em prosseguir com suas vidas, tendo que conviver com os fantasmas do passado. Aqui é que conhecemos propriamente o protagonista, Viljar (Jonas Strand Gravli), que levou 5 tiros e sofreu bastante com o processo pós-operatório. O problema é que 22 de Julho abdica de desenvolver os demais personagens, como o próprio Anders, antes tido como um homem frio e calculista, mas que perde sua essência no decorrer da narrativa entrando em contradições com o próprio pensamento. Como advogado de defesa temos Geir Lippestad (Jon Oigarden), que tenta de alguma forma amenizar todos os estragos realizados por seu cliente. E aqui temos uma das melhores figuras da trama, apesar de achar que o drama vivido por sua família poderia ser melhor explorado, já que o advogado está trabalhando a defesa de pessoas pessoas com ideias nazistas.

O lado "positivo" de 22 de Julho é o fato de podermos constatar como uma pessoa aparentemente indefesa e com ideias extremistas pode influenciar ouros a sua volta, bem como realizar feitos assustadores. Esse é o perigo real, facilitado por instrumentos como jogos online, redes sociais e a disseminação de discursos de ódio. No fim, a obra é bastante irregular. O tipo de longa-metragem que funcionaria muito mais como um documentário.

Foto: Erik Aavatsmark / Netflix


Ruim

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