CRÍTICA | Como Treinar o Seu Dragão

Direção: Dean DeBlois e Chris Sanders
Roteiro: Dean DeBlois, Chris Sanders e William Davies
Elenco: Jay Baruchel, Gerard Butler, America Ferrera, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2010


A primeira década dos anos 2000 foi muito importante para os fãs dos filmes de animação. Foi nesse período que tivemos um "boom" de lançamentos, que não ficaram concentrados somente nos estúdios já consagrados (como a Disney e a Pixar), dando espaço para que outras distribuidoras também se arriscassem na produção desse gênero. Um exemplo perfeito é o da DreamWorks Animation, que mesmo em atividade desde os anos 1990, atingiu seu auge no século XXI com os lançamentos das franquias Shrek, Madagascar e Kung Fu Panda. Em 2010, deu início a outra franquia, baseada na série de livros infantis da escritora inglesa Cressida Cowell, e que agora é considerada por muitos o grande acerto do estúdio até aqui.

Como Treinar o Seu Dragão (How to Train Your Dragon) gira em torno de Soluço (Jay Baruchel), um jovem viking que é filho do chefe da aldeia Berk. Para este povo, os dragões são o verdadeiro inimigo e os jovens deverão conquistar o status de guerreiros apenas quando conseguirem abater uma das criaturas. Desajeitado e magricela, Soluço é exatamente o oposto do que um viking deveria parecer, embora possua a teimosia característica de seus ancestrais. E é a partir de suas decisões que a história ganha seus primeiros contornos.

Para provar que é um viking, o rapaz decide, contra a vontade de todos, que derrubará um dragão durante uma invasão na aldeia. Ele realmente consegue acertar (não exatamente por possuir uma boa mira) o mais raro e temido da espécie: o invisível Fúria da Noite. Porém, sem conseguir provar o feito, o rapaz logo é desacreditado por todos, até que encontra o dragão abatido na floresta e descobre que as lendas sobre dragões não são exatamente como os registros antigos.

Foto: DreamWorks Animation

A improvável amizade e as aventuras entre o menino e um Fúria da Noite - que acaba batizado de Banguela - logo cai na graça do espectador. O roteiro, por mais simples que seja, funciona perfeitamente para a introdução da saga no cinema, explorando com qualidade o conflito do personagem principal em se ver tão distante de suas origens, para depois encarar sua jornada de aceitação. É bonito de ver o paralelo entre a fragilidade do humano e a do animal, que se encontram em situações vulneráveis por motivos diferentes, mas juntos redescobrem sua força no elo que desenvolveram.

Muito do sucesso da animação se deve à beleza da computação gráfica, que cria paisagens lindas e é bem sucedida em explorar os diferentes visuais entre os vikings, além das diferentes espécies de dragões. Soma-se a isso os personagens secundários também cativantes, como a corajosa Astrid (America Ferrera) e o ferreiro Bocão (Craig Ferguson), que mesmo tendo menos tempo de tela, possuem desenvolvimento mínimo para que despertemos afeição por eles.

O sucesso de Como Treinar o Seu Dragão está justamente no equilíbrio que a obra consegue trazer, explorando a fantasia e o toque infantil da obra literária original, mas também trazendo uma bonita mensagem sobre aceitação, amizade e coragem em um patamar maduro e comovente, que também agrada aos mais velhos.

Foto: DreamWorks Animation



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