CRÍTICA | WiFi Ralph: Quebrando a Internet


Direção: Phil Johnston e Rich Moore
Roteiro: Phil Johnston e Pamela Ribon
Elenco: John C. Reilly, Sarah Silverman, Gal Gadot, Taraji P. Henson, Alan Tudyk, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018


Quando Detona Ralph (Wreck-It Ralph) estreou, lá em 2012, a trajetória da dupla Ralph (John C. Reilly) e Vanellope (Sarah Silverman) carregava uma originalidade marcante. A temática dos videogames, nunca antes explorada dessa maneira, dava um ar de frescor ao gênero e mantinha o padrão da boa onda de animações da Walt Disney Animation Studios. Em seis anos a empresa viu Frozen: Uma Aventura Congelante (2013) se tornar um sucesso estrondoso, Zootopia (2016) arrecadar mais de um bilhão de dólares em bilheteria, e ainda emplacar ótimos acertos como Operação Big Hero (2014) e Moana: Um Mar de Aventuras (2016). Então, em 2018, estreia WiFi Ralph: Quebrando a Internet (Ralph Breaks the Internet).

Estrear após essa onda de grandes acertos do estúdio trouxe um peso enorme a produção, e talvez esse tenha sido o seu maior "azar". WiFi Ralph é divertido, coerente com o mundo criado no primeiro filme e entrega um visual exuberante e criativo, mas sofre ao apresentar um roteiro não tão redondo ou inventivo como o anterior. Maldito seja o monstro da expectativa.

Anos se passaram desde que Ralph e Vanellope (dublados no Brasil por Tiago Abravanel e Marimoon, respectivamente) conseguiram salvar o arcade da vingança do Turbo. Então, passando por um processo de modernização, a loja de jogos do Sr. Litwalk se rende ao momento e instala um roteador de internet. E se a mudança não fosse o bastante, a amizade entre os dois protagonistas também não anda em seus melhores dias.

Foto: Walt Disney Animatio Studios

Vanellope não gosta da ideia de estar presa em uma rotina e, quando seu amigo brutamonte tenta ajudar, o controle do jogo se quebra e, devido ao alto preço de um novo no eBay, Litwalk decide dar o arcade ao sucateiro na próxima oportunidade. Diante desse panorama, não resta escolhas a não ser mergulhar de cabeça na internet em busca de recuperar a peça perdida.

Apesar de não ser do mesmo estúdio, um dos maiores méritos do longa dirigido por Phil Johnston (A Thousand Words) e Rich Moore (Zootopia) é também a maior qualidade dos filmes da Pixar: animar o inanimado. Aqui a internet respira, vive, interage. Da personificação do usuário, às caixas de spam, passando pelo funcionamento das redes sociais e suas interações. Tudo funciona de maneira singular e constantemente me arrancava sorrisos durante a exibição. Quem reclama que a internet não é só memes de gatos, nunca usou uma rede social. Ou, se acha que as opiniões não conseguem ser tão venenosas, nunca abriu a aba de comentários de qualquer portal de notícias ou vídeo do YouTube. A representação criada transpira a realidade que vivemos diariamente. E isso é louvável.

Há também algumas mudanças no núcleo principal de personagens. Nessa continuação, Felix (Jack McBrayer) tem pouco espaço em tela, enquanto Shank (Gal Gadot) tem grande participação, principalmente no arco de desenvolvimento de Vanellope. Mas nada, nem ninguém, brilha tanto quanto as princesas Disney. Todas as cenas que as envolvem funcionam no ponto certo. As falas, roupas e atitudes transpiram a história de cada uma e respeitam demais cada background criado em suas próprias obras. Quero uma sitcom das princesas pra ontem na minha mesa, obrigado.

Foto: Walt Disney Animation Studios

O ponto fraco da animação fica para seu último ato capenga. Ainda que novamente levante questionamentos fortes e extremamente necessários em tempos atuais, como relacionamento abusivo/tóxico e o feminismo, as escolhas visuais não conversam com o restante da narrativa, soando como adição posterior que não funciona tão bem. Nada que estrague a experiência como um todo, é bom dizer.

É sempre gratificante ver estúdios de animação terem a preocupação de abordar temas que, prioritariamente, não seriam de sua alçada. Quanto mais cedo as crianças souberem dar valor as suas amizades e a respeitar o espaço do próximo, mais rápido se tornará um adulto consciente e, acima de tudo, um ser humano melhor. E WiFi Ralph: Quebrando a Internet cumpre bem esse papel.

Bom


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Eduardo Fernandes é jornalista, fã de animação e acha Moana a melhor pessoa.

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