CRÍTICA | High Flying Bird

Direção: Steven Soderbergh
Roteiro: Tarell Alvin McCraney
Elenco: André Holland, Melvin Gregg, Zazie Beetz, Sonja Sohn, Bill Duke, Zachary Quinto, Caleb McLaughlin, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2019


Steven Soderbergh (Onze Homens e um Segredo) é um dos grandes cineastas que temos em atividade atualmente. Um dos motivos dessa afirmação é a facilidade com que o diretor transita entre os gêneros cinematográficos. Nem sempre de forma marcante, é verdade, mas sempre de forma competente. Distúrbio (2018) é uma prova cabal, longa filmado apenas com uma câmera de iPhone. Com base em seu histórico, sua parceria com a Netflix para o lançamento de High Flying Bird empolga, embora aqui seja o perfeito exemplo da competência que não marca.

A trama nos apresenta a Ray Burke (André Holland), um agente da NBA que tem em Erick Scott (Melvin Gregg), draft número um da competição, seu principal cliente e oportunidade de negócios. E é dentro do universo do basquete que a obra se ambienta.

Há dois extremos que precisam ser pontuados. O filme deveria funcionar precisamente para quem é fã do esporte, especialmente por tratar de um aglomerado de questões técnicas sobre o próprio. Por outro lado, o espectador leigo também precisa estar inserido, facilitando o entendimento de todo o processo para, a partir daí, conectar-se emocionalmente com a história. Infelizmente a obra acaba desagradando ambos os lados. A narrativa, por mais bem realizada e inteligente que seja, não envolve o público por completo, nos deixando sem entender realmente o que está acontecendo.

Foto: Peter Andrews / Netflix

A verdade é que André Holland (Moonlight: Sob a Luz do Luar) e Sonja Sohn (Luke Cage) carregam o longa com suas ótimas atuações, ainda que o roteiro não propicie grande desenvolvimento para seus personagens. Holland, aliás, é um talento a ser observado. Torço para que o ator tenha novas oportunidades de brilhar em tela.

Em meio aos acontecimentos, jovens jogadores da NBA que já foram draftados contam suas experiências de vida no início de suas carreiras. O problema é que seus relatos soam mais interessantes que a narrativa que está sendo desenvolvida.

A direção de Soderbergh é bem realizada, usando e abusando da câmera próxima ao rosto dos personagens, uma forma de retratar o desconforto das medidas estabelecidas pela NBA e como elas influenciam a vida de cada um.

High Flying Bird acerta principalmente ao tratar de questões raciais, deixando uma importante mensagem em seu desfecho, no entanto, é impossível ignorar seus problemas, que acabam transformando a obra em um exemplar menor de seu eficiente diretor.

Foto: Peter Andrews / Netflix


Bom

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