CRÍTICA | Deixando Neverland

Direção: Dan Reed
Elenco: Michael Jackson, Wade Robson, Jimmy Safechuck, entre outros
Origem: Reino Unido / EUA
Ano: 2019


Michael Jackson é o Rei do Pop, um dos ícones da música mais famosos e importantes de todos os tempos, indubitavelmente. A genialidade de sua obra e a forma como ele reinventou a indústria musical é único até hoje. No entanto - e infelizmente - sua trajetória enquanto artista não é o único  tema que atrai discussões sobre o ídolo. As acusações de pedofilia são, até hoje, muito debatidas. Há quem diga que ele gostava de estar entre crianças por não ter usufruído como deveria de sua infância, e se entendia como tal mesmo sendo adulto. Outros acreditam que as acusações são reais e os crimes aconteceram de fato.

Michael foi inocentado das acusações em ambos os casos em que foi indiciado, em ações conduzidas em solo norte-americano. Agora, anos após sua morte, Wade Robson e James Safechuck, dois homens que conviveram com o artista quando eram crianças têm mais a falar em Deixando Neverland (Leaving Neverland), documentário produzido pela HBO.

O documentário é dividido em duas partes, com cerca de duas horas cada, traçando uma narrativa desde quando Robson e Safechuck conhecerem Michael Jackson até a morte do ídolo, que, de certa forma, fez nascer a vontade de ambos em expor a "verdade" sobre os supostos casos de abuso. E quando coloco a palavra verdade entre aspas é porque a obra não se preocupa em apresentar provas a respeito do que está sendo falado em tela. Há ali apenas o relato de ambos os rapazes, cabendo exclusivamente ao espectador aceitar, ou não, o depoimento de ambos.

Foto: HBO

O longa não tem a intenção de ser imparcial, pois foca sua atenção apenas nos dois e em suas famílias, sem apresentar qualquer outra versão ou ponto de vista das situações. Por conta disso, o material sofre de falta de credibilidade, já que a "sentença" do público se baseia apenas no relato de Robson e Safechuck, pessoas das quais não conhecemos as intenções, ainda que compadeçamos de suas dores.

Apesara de carecer de fontes, a produção apresenta um bom banco de dados que ilustra as ações narradas, com fotografias e filmagens da época em que boa parte dos eventos se passaram. Seu teor sombrio - afinal estamos falando sobre pedofilia - impacta o espectador e apresenta poucos momentos de respiro. Trata-se de uma obra difícil de se assistir, muito em função do detalhamento exposto pelos entrevistados. Invariavelmente acabamos por simpatizar por ambos, o que torna tudo mais confuso na cabeça de quem assiste.

O documentário impactou muita gente, afinal, estamos falando de um ícone mundial. Os crimes foram realmente cometidos? Infelizmente não temos resposta para essa pergunta. E talvez nunca tenhamos. Só os envolvidos saberão o que de fato aconteceu. O fato é que Deixando Neverland faz até os mais céticos refletirem sobre a possibilidade. E isso não pode ser ignorado.

Ótimo

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