CRÍTICA | O Grande Hotel Budapeste

Diretor: Wes Anderson
Roteiro: Wes Anderson e Hugo Guinness
Elenco: Ralph Fiennes, Tony Revolori, Saoirse Ronan, Jude Law, Tom Wilkinson, Adrien Brody, Willem Dafoe, Edward Norton, 
Harvey Keitel, Jeff Goldblum, Mathieu Amalric, Jason Schwartzman, Owen Wilson, Bill Murray, Tilda Swinton, Léa Seydoux, 
F. Murray Abraham, Bob Balaban e Fisher Stevens
Origem: EUA e Alemanha
Ano: 2014



Quando lançou Os Excêntricos Tenenbaums (The Royal Tenenbaums), no longínquo ano de 2001, me parecia que Wes Anderson (Viagem a Darjeeling) atingira seu auge criativo. Essa afirmação pode parecer exagerada se pensarmos que, naquela ocasião, o diretor comandava apenas seu terceiro longa-metragem, mas a perfeita harmonia dos elementos cinematográficos daquela obra me fazia duvidar que o mesmo lançaria algo tão bom ao longo de sua carreira (ótimos filmes foram lançados, ainda assim). E dessa forma ocorreu, até a estreia de O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel), a prova de que eu estava equivocado.

O que mais me agrada na cinematografia de Anderson é seu estilo visual único, que aqui parece atingir níveis excepcionais até para ele prórprio. Através da fotografia e de sua paleta de cores, ele cria uma identidade visual específica pra cada núcleo de personagens. O roxo vivo dos uniformes dos funcionários do Hotel Budapeste, o preto que predomina no figurino da família de Madame D. (Tilda Swinton), o cinza sem identidade da prisão. Além disso, o diretor adiciona características marcantes a cada personagem, de forma que, basta que vejamos algum deles por meros segundos para que lembremos de imediato quando reaparecem na trama de forma significativa, muito tempo depois (a irmã manca, por exemplo). A liga dos concierges é um segmento particularmente inspirado e bem conduzido.

É também louvável a forma como o cineasta realiza seus enquadramentos tão característicos, por vezes reunindo dezenas de atores em tela. Seus movimentos de câmera complementam a narrativa de forma inteligente, aliando-se ao roteiro e conferindo um tom de humor contido, mas ao mesmo tempo escrachado, por mais dúbio que isso possa parecer. É comum vermos um personagem que encontra-se no canto da tela realizando alguma ação importante, ou dando um olhar irônico para alguma situação. E acredite, cada quadro é milimetricamente pensado.

A trilha sonora, composta por Alexandre Desplat, exerce papel indispensável para que toda essa atmosfera funcione com a sinergia necessária, dando um tom de época fabulesco, que nos acompanha por toda a trama.

O elenco é numeroso e estelar. Chega a ser impressionante a quantidade de estrelas que aparecem na obra (a grande maioria, vale dizer, já havia trabalhado anteriormente com Anderson), mesmo que em pequenas participações. E chama a atenção como nem mesmo a menor delas deixa de ter alguma importância para a trama, fruto de um roteiro muito bem trabalhado. O destaque, claro, é para Ralph Fiennes, que entrega sua melhor interpretação desde A Lista de Schindler, num papel improvável. E vejam que estou falando de Fiennes, conhecido por sua competência e bons projetos. Seu Sr. Gustave soa hilariante, por encarnar uma persona de etiqueta impecável, mas também um grande trambiqueiro. São vários os momentos de destaque, mas talvez o melhor deles é quando resolve subitamente correr da polícia no saguão do hotel.

É uma pena que O Grande Hotel Budapeste tenha entrado em cartaz apenas em circuito limitado no Brasil, pois trata-se de uma obra que merecia ser apreciada por um público maior, mesmo que seu senso de humor não atinja, de fato, a grande massa. Sobre Wes Anderson, não me atrevo a tachar que ele não superará a si mesmo no futuro. Com apenas 45 anos, o diretor ainda tem muito a fazer pelo cinema. Assim torço.


Excelente!

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Confira o trailer do filme clicando AQUI.

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