[crítica] 007 - Operação Skyfall

Diretor: Sam Mendes
Elenco: Daniel Craig, Javier Bardem, Judi Dench, Ralph Fiennes, Ben Whishaw e Naomie Harris
Ano: 2012

50 anos se passaram desde o lançamento de 007 Contra o Satânico Dr. No, em 1962. O filme de estreia de James Bond nas telas do Cinema já ditava estilos e diretrizes que a franquia tomaria ano a ano, e é gratificante percebermos o quanto esse “produto” soube se vender e se renovar com o passar do tempo, entre derrapadas (poucas) e acertos (muitos), conquistando e reconquistando fãs ao redor do mundo, até chegarmos a 2012 e assistirmos a estreia de seu 23º filme, 007 – Operação Skyfall.

Na trama, enquanto Bond é declarado morto após o fracasso de uma missão passada em Istambul, a MI6 sofre com atentados terroristas que podem ter ligação com o passado obscuro de M. O agente britânico mais famoso do mundo tem então sua lealdade testada, e precisa decidir se volta ou não a ativa para ajudar a agência e, especialmente, sua comandante.

Após anos apostando em nomes considerados “genéricos” (ainda que competentes em sua proposta), os produtores trouxeram Sam Mendes (Beleza Americana) à cadeira da direção, e encontram neste seu maior trunfo. O estilo visual do diretor está presente, nesta que pode ser considerada a primeira obra autoral de 007. Um tema recorrente na história do filme (e não entrarei em detalhes para não revelar nenhum ponto importante) são as sombras. Mendes, auxiliado por Roger Deakins, seu diretor de fotografia, constrói cenas belíssimas utilizando as sombras dos atores em contraste com a iluminação do ambiente (em uma cena em especial, temos como único ponto de luz, uma casa em chamas), mesclando com maestria as nuances da narrativa e elevando o clima de tensão gradativamente. E não é a toa que o diretor tenha declarado inspiração no Batman de Christopher Nolan para compor as ações de Skyfall. O plano do vilão e a “ressurreição” do herói remetem diretamente a O Cavaleiro das Trevas e O Cavaleiro das Trevas Ressurge, respectivamente. E isso é muito bom. 

O roteiro escrito pelo trio John Logan, Neal Purvis e Robert Wade, intercala momentos de ação e desenvolvimento da trama com competência, e ainda encontra tempo para fazer referencias aos filmes clássicos da franquia, afinal, é o 50º aniversário. Homenagens que vão do belo Aston Martin dirigido por Sean Connery, à corrida dos jacarés de Roger Moore em Com 007 Viva e Deixe Morrer, passando pelo vilão Jaws, que apareceu em dois longas da franquia: 007 – O Espião Que Me Amava e 007 Contra o Foguete da Morte. Arrisco dizer que sobrou homenagem até mesmo a Esqueceram de Mim, mas essa deixarei para quem assistiu opinar. 

Daniel Craig volta a encarnar James Bond com o mesmo vigor das obras anteriores e aos poucos assume as característica clássicas do personagem (ao pular de um vagão de trem para outro, Bond se preocupa primeiro em ajeitar o terno, para depois continuar a perseguição), sem deixar de lado o estilo que trouxe para o papel e sem dever a nenhum de seus interpretes anteriores. Judi Dench também retorna como M e tem maior importância para a trama do que de costume, ao passo que Naomie Harris é a nova Bond Girl, mas arrisco dizer que faltou um pouco de carisma a atriz. As adições ao elenco, aliás, foram muito felizes. Ralph Fiennes entrega sua competência habitual vivendo uma espécie de presidente da MI6 e, após alguns anos, temos o retorno do agente Q, dessa vez protagonizado por Ben Whishaw, numa releitura de personagem que me agradou bastante. 

O destaque do elenco, no entanto, não poderia ser outro que não Javier Bardem. O ator interpreta o vilão Silva, e desde já pode ser considerado um dos vilões mais memoráveis que 007 já teve (e só leia o restante desse parágrafo se não tiver medo de spoilers). Sem se entregar aos maneirismos e vícios que os personagens homossexuais costumam ter no cinema (sim, o vilão é gay, uma antítese perfeita ao herói, que é conhecido por ser o “macho alfa”), Bardem constrói Silva com uma perspicácia absurda, abordando suas motivações como principal fator para o perigo que proporciona, sem deixar nunca a sexualidade se sobrepor ao propósito de seu papel. Momentos como seu diálogo inicial com Bond e a cena de seu interrogatório, são marcas do brilhantismo de seu interprete. 

Misturando novidades com a nostalgia dos filmes clássicos, 007 – Operação Skyfall mostra-se, desde já, uma das melhores obras da franquia. E que esta continue assim, renovando-se e ganhando plateias ao redor do mundo pelos próximos 50 anos. O personagem dispensa apresentação. Mas não cansamos de vê-lo ressurgir.


Excelente!

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