True Detective 2x03 | Maybe Tomorrow


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Esse talvez tenha sido o episódio mais irregular dessa segunda temporada de True Detective, não por nenhum motivo específico, mas pela soma de alguns. Um deles é a direção, que dessa vez esteve a cargo de Janus Metz e continuou pouco inspirada. É chato fazer comparações com a temporada passada, mas quando o nível foi elevado de maneira inspiradora por Fukunaga, fica difícil não esperar pela qualidade entregue anteriormente. O que mais me incomoda são alguns cortes abruptos, que parecem destoar da linguagem cinematográfica que assistimos.

Além disso, apesar de estar bastante interessado pelo roteiro de Nic Pizzolatto, confesso que não me sinto minimamente curioso para descobrir a identidade do assassino. E isso é um problema. Diferente do ano passado (novamente), quando ocorriam assassinatos de inocentes, dessa vez vemos criminosos e corruptos indo pro saco, o que acaba carecendo de nossa identificação. De certa forma o assassino é um justiceiro às avessas, o que me leva a perguntar na verdade se ele trabalha para alguém.

Por outro lado, fica evidente que a trama busca focar no desenvolvimento de seus personagens, que vão ganhando cada vez mais camadas. E como não poderia deixar de ser, esse tem sido o ponto forte desse ano.


Velcoro, ao meu ver, é o personagem mais fascinante até aqui. Apesar de ter "vendido sua alma" para o crime organizado, ele tem uma série de nuances que nos fazem nos identificar com ele. É um cara que ama cegamente o filho (mesmo que não saiba lidar com isso), que cuida (a seu modo) do pai, que se importa com inocentes (como quando tenta alertar crianças a pararem de brincar perto de despejos químicos), que constrói aeromodelos como passatempo. O fato dele ter "renascido" após a saraivada de balas de borracha que levou, trouxe uma nova vertente ao personagem, a do homem que talvez busque uma redenção, o que torna sua relação com Bezzerides ainda mais interessante.

Gostei da forma como a dupla de detetives não tenha prejudicado um ao outro com suas chefias, por mais que ambos os departamentos quisessem isso. Bezzerides enxerga algo em Velcoro que ainda não identificamos, talvez a bondade que citei logo acima. E quando a mesma - obstinada por prender o assassino - é salva pelo parceiro, fica claro que um elo foi criado de certa forma. McAdams e Farrell têm feito um grande trabalho juntos.

Talvez o personagem que destoe até aqui seja Woodrugh. Não que sua obscura jornada pessoal não tenha sido interessante, ainda mais depois de entendermos um pouco mais de suas atitudes após descobrimos de seu possível caso homo afetivo no passado, no entanto tenho tido dificuldade em traçar seu papel na trama como um todo. Espero ser surpreendido, assim como fui pego de surpresa pelas atitudes de Frank Semyon, que vem se mostrando um homem de temperamento explosivo e que está a beira de um colapso nervoso. Sua impotência e pancadaria são provas disso.

O que virá à seguir? Não faço ideia. Mas isso é bom.

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