CCXP 2016 | Legen... wait for it...dary!

Foto oficial do evento por Daniel Deák

Último dia de Comic Con Experience 2016 e meu objetivo era acompanhar os painéis do dia no auditório Cinemark. E claro, se você chegou até essa matéria especial e já leu alguns dos textos da nossa cobertura, sabe que para conseguir um bom lugar no auditório é preciso madrugar de leve na fila. E assim foi. O sol ainda ameaçava nascer e eu já estava chegando para pegar a imensa fila de fãs, que até poderiam estar cansados pela maratona, mas não menos empolgados e ansiosos pelo dia que viria.

O primeiro painel do dia foi da Warner Bros, cujo principal destaque foi a presença do cineasta Jordan Vogt-Roberts, responsável pelo próximo grande lançamento do estúdio: Kong: A Ilha da Caveira. Após a exibição do ótimo trailer do filme, o diretor veio ao palco para responder diversas perguntas do mediador, falando um pouco de suas influências em filmes de guerra como Apocalypse Now e Platoon, mas especialmente a sua inspiração no mundo dos games. Vogt-Roberts me parece um cineasta jovem, que cresceu gostando das mesmas coisas que muitos de nós, e isso foi bem bacana de constatar. Uma pena que não abriram perguntas para a platéia, mas minhas expectativas para o filme são das melhores.

A Warner também exibiu trailers de seus próximos lançamentos como Rei Arthur, Annabelle 2 e LEGO Batman. Todos os videos foram apresentados por pequenos clipes com diretores ou atores dos filmes, sempre muito simpáticos, mas tudo que foi exibido ali já estava na internet há algum tempo. Zack Snyder também apareceu para dar um recado em vídeo, mas o trecho que foi exibido de Liga da Justiça foi exatamente o mesmo apresentado na San Diego Comic Con, e que já estava na memória de todos faz tempo. Isso foi um pouco decepcionante, pois não vimos nada de novo dos filmes da DC. Faz parte, esperamos que seja diferente em 2017.


Na sequência tivemos a exibição exclusiva de teaser do filme Bingo: O Rei das Manhãs, um filme nacional dirigido por Daniel Rezende (fotógrafo indicado ao Oscar por Cidade de Deus) e estrelado por Vladimir Brichta, que "indiretamente" narrará a trajetória do palhaço Bozo na década de 80 (o personagem mudou de nome no filme por conta de direitos autorais). Posso dizer que esse foi um dos melhores painéis do dia, pois tanto diretor como ator estavam presentes no palco e super animados em exibir aquele conteúdo inédito para todos os presentes. Eles falaram bastante sobre o processo de criação do longa, a preocupação em retratar a década de 80 da maneira correta e especialmente a entrega de Brichta ao papel. Para encerrar, foi exibido o trailer completo do longa que deixou todo mundo super afim de assistir ao filme. De verdade, o material parece ser realmente muito bom. Vejam vocês mesmos abaixo:


O painel seguinte foi o mais surpreendente do dia. Quando anunciaram que Ross Marquand viria a CCXP, pensei, poxa, trouxeram o ator menos importante de The Walking Dead para o painel. Acho que era uma sensação comum em boa parte da platéia. Mas como foi bom queimar a língua. Marquand se mostrou um cara extremamente simpático e animado por estar ali. Curiosamente ele falou até bem pouco sobre TWD, focando em sua carreira em si, sua história de vida, os obstáculos que enfrentou para chegar ali e até sobre a polêmica eleição de Donald Trump. Como se não bastasse, o ator se mostrou um mestre na arte da imitação. De Harrison Ford a Kevin Spacey, de Anthony Hopkins a Al Pacino, de Christopher Walken a Matthew McConaughey. Todas imitações PERFEITAS. E não era apenas a voz, mas os trejeitos, os gestos. O cara deu um show, de verdade, e a plateia o amou. Confesso que agora torço fervorosamente por seu personagem na série, de tão legal que o Marquand é. Meu único arrependimento foi não ter filmado suas imitações. Estava totalmente imerso no painel.

A decepção do dia foi o painel dos 75 anos da Mulher-Maravilha. Brian Azzarello e Yanick Paquette estiveram presentes no palco para responder perguntas protocolares sobre a personagem. Nenhuma imagem rolando, nenhuma mulher no palco para representar a importância da personagem no âmbito feminino das fãs de quadrinhos.. enfim. Poderia ter sido bem melhor, ainda que reconheça que as presenças eram ilustres.

Na sequência tivemos integrantes da Mauricio de Souza Produções para falar dos inúmeros lançamentos que a empresa trará nos próximos anos. O próprio Mauricio de Souza estava no palco, abrilhantando ainda mais o painel. Lá foi falado um pouco sobre os filmes que serão lançados futuramente, algumas atrações infantis lançadas diretamente no YouTube mas, especialmente, sobre o anúncio do lançamento de mais 4 graphic novels que os fãs aguardavam há algum tempo. São elas: Turma da Mônica 3, Chico Bento, Capitão Feio e Jeremias. Confesso que ainda não li nenhum dos trabalhos tão elogiados que tem sido produzidos nesses encadernados especiais, mas em breve devo fazê-lo, pois a qualidade parece ser imensa. O único ponto negativo do painel foi a falha no isolamento de som do auditório Cinemark, que não conseguiu impedir a explosão de gritos que rolavam do lado de fora do auditório, por vezes atrapalhando os convidados que estavam no palco e, claro, a platéia.


Para encerrar mais um grande dia de CCXP 2016, faltava o principal painel da noite. Aquele que muitas pessoas pegaram fila desde cedo para poder assistir. É claro que estou falando da Netflix, que chegou logo com o pé no peito passando um clipe com trechos de todas as suas produções originais. O auditório foi a loucura, quase que literalmente. Foi realmente muito empolgante estar ali naquele momento. E olha que nem estávamos vendo nenhum material inédito... ainda.

Sem deixar a peteca cair. tivemos a exibição de um trecho completo de Punho de Ferro, a próxima série da parceria Marvel/Netflix. Foi basicamente uma cena de luta do personagem principal enfrentando uma série de capangas num corretor estreito (algo já comum nas séries de heróis). Mais empolgante que isso foi o encerramento do vídeo, quando Finn Jones (o Punho de Ferro) apareceu para dar tchau para a platéia, mas não sem antes entrar em uma sala e sentar na mesma mesa que Charlie Cox (Demolidor), Krysten Ritter (Jessica Jones) e Mike Colter (Luke Cage). Os Defensores, reunidos, dando um alô pra todos nós. Luke Cage inclusive foi renovada para 2ª temporada ali, no palco. Se o painel tivesse encerrado ali já estava bom, mas tinha mais. Muito mais.

Tivemos um pequeno vídeo com o elenco mirim de Stranger Things que foi IMPOSSÍVEL de ouvir, tamanha a empolgação de todos os presentes. Pra nossa sorte o vídeo tinha legenda, e eles basicamente agradeceram pelo carinho dos fãs brasileiros e disseram que não puderam vir ao Brasil pois estão gravando a segunda temporada da série. Foi épico, de verdade.

Pra dar uma acalmada nos ânimos. foi exibido uma animação da série Star Trek: Discovery, além de um trailer exclusivo e interessantíssimo de uma nova série original da Netflix, The AO. Mais um daqueles lançamentos que ninguém estava esperando e deixou todo mundo curioso. O trailer inclusive já foi disponibilizado ao público, vejam abaixo.


Após a exibição de uma longa e empolgante cena do que acredito ser o especial de natal de Sense8, os 3 convidados do elenco vieram ao palco, ovacionados pela platéia presente. Eles falaram um pouco sobre a influência e a genialidade Lana Wachowski (Matrix), idealizadora da série, e destacaram a experiência marcante que tiveram no Brasil, filmando cenas para a segunda temporada diretamente da parada LGBT realizada este ano em São Paulo. Ainda houve tempo para Miguel Ángel dançar Molejo no palco. Sim, isso mesmo que vocês leram.

Em seguida tivemos um dos momentos mais emocionantes da CCXP, se não tiver sido o maior. O elenco de 3%, primeira série original brasileira da Netflix entrou no palco. Visivelmente emocionados e nervosos, os atores não acreditavam no carinho que recebiam da plateia naquele momento. Críticas à parte (ainda não assisti a série, me baseio pelo que li por aí), os presentes só queriam demonstrar carinho e orgulho por aqueles convidados, que representam muito para um país que ama o conteúdo da gigante do streaming. Foi um painel muito bacana, em que todos respondiam as perguntas de forma apaixonada, contando um pouco de como que eles embarcaram naquela jornada e mudança que a série trouxe para suas vidas da noite para o dia, visto que agora eles são atores conhecidos em mais de 200 países graças à Netflix. Foi então que Aline Diniz, a mediadora do painel, chamou ao palco o presidente de marketing da América Latina da empresa, que renovou a série para a segunda temporada ali, para elenco e platéia descobrirem ao mesmo tempo. Os convidados não conseguiram segurar a emoção, se abraçaram e choravam no palco, enquanto as pessoas enlouqueciam na plateia.

Foi um momento realmente único. Épico.

Foto oficial do evento por Daniel Deák

Perante o que acabara de acontecer, o painel de Shadowhunters até empalideceu perante o público, mas não perante o fandom apaixonado que marcou presença. Confesso que conheço pouquíssimo sobre a série, mas ficou claro que eles têm o seu público fiel. O elenco também era bastante simpático, o que manteve o interesse de todos os presentes. Eles brincaram bastante entre si, falaram um pouco do que o público pode esperar da nova temporada e deram alguns conselhos bem bacanas para os jovens que os assistem. Um momento simpático, sem dúvida.

Após a exibição de um novo trailer (até então exclusivo) de Desventuras em Série e para encerrar o dia e a CCXP 2016 de forma LENDÁRIA, Neil Patrick Harris veio ao palco para falar sobre a série. Ovacionado, como já era esperado, o ator foi bem simpático e aberto as perguntas da mediadora Aline Diniz. O painel em si foi bem protocolar, com perguntas e respostas sobre a série, o processo de adaptação dos livros, o trabalho do ator com o elenco mirim, a comparação com o filme, a maquiagem, enfim, todos os aspectos da produção.

Dois momentos marcaram. O primeiro foi quando Neil Patrick interrompeu o painel para fazer um pedido aos presentes. Ele tirou o celular do bolso e disse que gravaria um vídeo para seus filhos. Pediu para que todos ficassem em silêncio, pois ele se gravaria dizendo que o "o papai está viajando" e que tinha um montão de amigos que queriam dar oi para eles. Então o ator virou o celular para a plateia e todos os presentes levantaram e gritaram "hello" para seus filhos. Em seguida Neil virou a câmera de novo para ele, dizendo as crianças que os amava. Foi tocante. O segundo momento foi quando Aline também citou a família do ator e perguntou se ele tinha algum recado para dar as pessoas sobre diversidade, sobre autenticidade, para aqueles que talvez estejam um pouco perdidos em suas vidas. A resposta de Neil Patrick Harris vocês podem ver no vídeo abaixo, que tive a imensa felicidade de registrar.


E assim terminou mais uma Comic Con Experiente. Um evento mágico, épico, de verdade. O lugar em que gente de todas as idades interagem e se divertem de maneira única, motivados pela mesma paixão pela cultura pop. Um lugar onde fazer amizades parece mais fácil. E realmente é. A cobertura do evento é um momento marcante para o Cinéfilo em Série, e para encerrar, gostaria de deixar um agradecimento especial para algumas pessoas: Edu Oliveira (Cinemagens), por ter topado a empreitada comigo e por termos feito a melhor cobertura possível pelo 2º ano consecutivo. À Carol Guedes (Sons of Series), a Isabella Grocelli (Falando Groselha), a Michelle Louise (Diário de Seriador), ao Vinicius Carlos Vieira (Cinemaqui), a Gabrielly Vasconcellos e ao Hugo Marques (Makempi), a Mayara Armstrong e ao Tarcio Matos (O Filme é Legal, Mas), a Cinthia Galvão (É Série Isso?) e a Pamela Santos (Horda Nerd), sem a companhia de vocês a CCXP perderia a metade da graça. E meu agradecimento final a você, leitor, que acompanhou a cobertura aqui, pelo Cinéfilo em Série.

Um abraço e até 2017!

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