CRÍTICA | Logan

Direção: James Mangold
Roteiro: James Mangold, Scott Frank e Michael Green
Elenco: Hugh Jackman, Dafne Keen, Patrick Stewart, Boyd Holbrook, Stephen Merchant, entre outros
Origem: Canadá / Austrália / EUA
Ano: 2017


Se na década de 90 fomos bombardeados com variadas adaptações do Batman para o cinema, é inegável que X-Men: O Filme foi o empurrão definitivo para que se desenvolvessem tantos arcos e histórias baseadas em HQs até hoje, independentemente da editora. O principal grupo de mutantes da Marvel será lembrado por ser o primeiro longa que juntou tantos personagens diferentes em uma ambientação realista para as telonas, com abordagens polêmicas já retratadas nos quadrinhos e trazendo novos conceitos em termos de efeitos especiais.

Dessa franquia, porém, apenas o Wolverine/Logan teve seu filme solo até hoje, interpretado todos esses anos pelo ator Hugh Jackman (O Rei do Show). E se no começo haviam contestações sobre o porte físico do ator não corresponder com o personagem da HQ, ao longo dos anos Jackman conquistou uma unânime simpatia com sua representação. A trilogia solo iniciou em 2009 com X-Men Origens: Wolverine, seguida por Wolverine: Imortal, lançado em 2013, chegando ao seu fim agora, com o recente Logan, de 2017.

Logan é contado no futuro de 2029, onde os mutantes estão em extinção, mas os experimentos envolvendo material genético e transmutação continuam sendo explorados da pior forma possível pelos humanos. Nesta altura, Logan está mais velho, trabalhando como motorista e já não atende mais por seu codinome. Logo vemos que seu poder de regeneração começa a dar sinais de fraqueza e seu organismo apresenta uma reação adversa ao adamantium. Junto a isso, temos um Professor Xavier (Patrick Stewart, em atuação memorável) com 90 anos e doente, sofrendo com surtos controlados por medicamentos e sob os cuidados do mutante Caliban (Stephen Merchant).

Foto: Fox Film do Brasil

Paralelo a isso, somos apresentados a uma nova personagem, a pequena Laura Kinney (ótima estreia de Dafne Keen), conhecida nas HQs pelo nome "X-23", que nada mais é do que a filha clonada de Logan, criada a partir de um experimento baseado na réplica da Arma X, com a matriz genética do Wolverine.

O tom aqui é de melancolia do início ao fim, por meio de diálogos que pontuam a tristeza e as falhas passadas dos personagens. A fotografia conta com tons sombrios, junto a uma maquiagem que destaca o sofrimento e a dura caminhada enfrentada por Xavier e Logan, os únicos membros restantes dos X-Men. O longa busca um constante realismo, brincando com a própria história dos filmes anteriores transcritos em HQs e sobre a lenda dos mutantes para as crianças do futuro. Laura é uma delas, e por mais que sua natureza seja agressiva e impetuosa, a garota é o motivo pelo qual os dois mutantes da velha guarda buscam uma redenção e um motivo para seguirem sua trajetória.

Outro ponto marcante é a crueza das cenas de ação. Se nas obras passadas mal víamos sangue e cabeças rolando, neste a violência é recorrente, fruto da censura de 18 anos. A direção de James Mangold (Johnny e June) é eficiente em explorar o constante deslocamento dos personagens em fuga, marcados por intensidade e lutas sanguinárias.

Com a parte técnica em destaque, é no roteiro que as opiniões se dividem. Curiosamente, neste filme tivemos a primeira indicação ao Oscar de um longa de super herói na categoria "melhor roteiro adaptado". Enquanto o primeiro ato funciona muito bem, como um road movie e uma apresentação do estado atual decadente dos personagens, temos novamente um antagonismo pouquíssimo inspirado e ficamos sem respostas para a degeneração de Logan e do querido Professor Xavier - o que para muitos é um problema. O desfecho para este último, aliás, causa mais revolta do que emoção, pois, ainda que Patrick Stewart (Ted) esteja excelente em seu desabafo final, é triste demais presenciar a forma como tudo acaba para uma figura tão grandiosa dentre os mutantes.

Foto: Fox Film do Brasil

O pessimismo quanto à jornada final de Logan também gera polêmica. É perfeitamente compreensível que os fãs não se contentem com um final tão trágico para o personagem, mas a saga de Wolverine, desde o começo, é marcada por sofrimento e pela perda de esperança que ronda a vida do homem. Ao ser fisicamente destruído por um clone que é a representação da violência em sua forma mais bruta, podemos pensar tanto na escolha pouco inspirada desse carrasco quanto na ironia da morte do protagonista perante "ele mesmo", mostrando a essência do personagem em travar uma luta marcada por conflitos pessoais desde sempre.

Apesar de algumas decisões questionáveis, o saldo final de Logan permanece positivo e bastante eficiente, principalmente se comparado aos dois filmes anteriores. Hugh Jackman se despede do personagem de forma digna e merecida. Uma pena que somente seu último filme no papel faria jus à história de um dos personagens mais adorados dos quadrinhos.

Bom

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