CRÍTICA | Mudo

Direção: Duncan Jones
Roteiro: Duncan Jones e Michael Robert Johnson
Elenco: Alexander Skarsgård, Paul Rudd, Justin Theroux, entre outros
Origem: Reino Unido / Alemanha
Ano: 2018


A onda do sci-fi parece ter voltado com toda força e a Netflix tem surfado nessa onda como pode, ainda que nem sempre fique na crista todo o tempo. Mudo (Mute) é um longa-metragem com clara influência de obras como Blade Runner, ou seja, direção de arte repleta de neono, pessoas com roupas visuais futurísticos extravagantes, cenas aéreas que retratam a cidade de forma melancólica, e por aí vai. 

Dirigido por Duncan Jones (Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos), o filme conta a história de Leo (Alexander Skarsgård), um homem que trabalha como bartender na Berlim de 2055. Logo de início conhecemos sua infância trágica, quando perdeu a capacidade de falar devido a um acidente de barco. Outro detalhe importante dessa introdução é que sua família é amish, o que proíbe cirurgias ou tratamentos para curar doenças. Por conta disso, Leo nunca procurou tratamento, mesmo depois de adulto e vivendo em uma metrópole onde todo tipo de tecnologia médica está disponível.

Apesar da interessante premissa inicial, o longa rapidamente abandona os detalhes de seu protagonista, voltando sua atenção para o relacionamento dele com Naadirah (Seyeneb Saleh). Ambos trabalham na mesma boate e vivem um romance típico, até o dia em que a garota desaparece misteriosamente, sem deixar qualquer rastro. Leo então inicia a busca por sua amada.

Foto: Keith Bernstein / Netflix

Ainda que apresente um universo tecnológico e futurístico de encher os olhos, a obra, infelizmente, trata esse mundo apenas como pano de fundo, focando sua narrativa na busca protagonista por sua amada. É nessa busca que conhecemos dois médicos militares chamados Cactus Bill (Paul Rudd) e Duck (Justin Theroux), dois personagens que utilizam da tecnologia dessa Berlim futurista e quase totalmente inexplorada.

Dito isso, Mudo poderia se passar tranquilamente em dias atuais, uma vez que o protagonista continuaria sendo amish e trabalhando como bartender. Sua amada teria os mesmos problemas que levam a conclusão da narrativa, e a dupla médica seriam apenas dois personagens corriqueiros que praticam medicina ilegalmente. Veja bem, a história, por si só, não é ruim, o problema foi transportar esse conto para um universo futurístico com carros voadores, robôs e tudo mais, sem qualquer motivação aparecente. Um dos principais motes da ficção cientifica é o questionamento da nossa condição de humano em um ambiente futurista, alterando nossa forma de ver e viver o mundo. E ssa premissa se perde completamente aqui.

A sensação que fica é de potencial desperdiçado, especialmente se levarmos em conta que a direção de arte é bela e o elenco é talentoso. Uma pena.

Regular

Foto: Keith Bernstein / Netflix

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