Winston Churchill | Três Faces de um Mesmo Homem


Hollywood é conhecida pelo fascínio em narrar biografias de personalidades que marcaram a história da humanidade. Vidas recheadas de ascensão, quedas, intrigas e amores, essas narrativas conseguem provocar fortes emoções e inspiram enormes transformações, tanto no público quanto nos produtores e diretores de grandes estúdios. 

Na última temporada de premiações, o subgênero se fez fortemente presente, com destaques no Oscar, Globo de Ouro e no SAG Awards. Filmes como Eu, Tonya e The Post: A Guerra Secreta, figuraram entre os aclamados por crítica e fãs da sétima arte. No entanto, algumas das principais produções nesse período estiveram ligadas a uma personalidade em especial: o ex- primeiro ministro britânico Winston Churchill (1874-1965).

Filho de um lorde inglês e uma aristocrata norte-americana, o famoso político bretão foi um péssimo aluno na escola. Antes de ingressar na vida política foi militar, jornalista, escritor, pintor e dedicado ministro da Marinha durante a Primeira Guerra Mundial. 

Desbocado e impetuoso, Churchill foi eleito duas vezes como Primeiro-Ministro do Reino Unido e guiou o país em dos momentos mais tenebrosos da história do planeta: a Segunda Guerra Mundial. Famoso por seus discursos que levantavam a moral e a confiança da nação, sua vida sempre foi um prato cheio para inúmeras produções televisivas e cinematográficas. Aqui listaremos três obras recentes que retrataram períodos da vida do britânico.


O Destino de uma Nação
(Darkest Hour,  2017)

Foto: Universal Pictures

Dirigido pelo celebrado diretor Joe Wright (Desejo e Reparação), O Destino de uma Nação acompanha o caos que a ilha bretã se encontrava naquele início do conflito em 1940, após a renuncia do ex-primeiro ministro Neville Chambelien (Richard Pickup), em meio ao avanço de Hitler na Europa.

Com a escolha de Winston Churchill (Gary Oldman) como primeiro-ministro, os demais parlamentares questionavam se esta era uma decisão correta. Coincidentemente se inicia uma das batalhas mais sombrias da Segunda Guerra Mundial, a de Dunkirk, no norte da França. Seus companheiros de partido, então, aceitaram que o politico genioso foi a melhor escolha para o cargo. 

Também em 2017, Christopher Nolan (A Origem) retratou a batalha de Dunkirk, mas, ainda que tratem do mesmo assunto, as obras se distinguem em sua abordagem. Nolan foca na operação militar, que ocorreu entre os dias 26 de maio e 04 de junho, conseguindo salvar mais de 300.000 mil homens. Já Wright foca nos aspectos políticos e em como a figura de Churchill se tornou um dos maiores trunfos para vitória dos aliados.

É justamente nessa fase que se iniciou a construção do primeiro-ministro como mito e líder. Por meio da atuação de Gary Oldman (O Profissional) conhecemos sua força e fragilidade, dois lados que coexistem em perfeita harmonia, e que humanizam e aproximam o personagem do espectador, através de seus discursos motivadores. Para realizar tal façanha, que lhe rendeu o Oscar de melhor ator, Oldman, fora a maquiagem, passou dias sem dormir e sem se alimentar para conseguir capturar toda a essência de um homem tão complexo e angustiado.


Churchill
(idem, 2017)

Foto: Califórnia Filmes

Apesar de não ter tido uma divulgação massiva como a do longa anterior, Churchill, do diretor australiano Johnathan Teplitzky (Uma Longa Viagem), retrata de forma simples e direta um tema muito pouco abordado nas cinebiografias do político inglês: sua depressão. 

Ambientado seis dias antes do desembarque das tropas aliadas ao norte da França no fatídico "Dia D",  o longa foca em como a guerra desgastou a saúde mental do primeiro-ministro inglês e seu medo paralisante de que aquela engenhosa e grandiosa operação terminasse como a malfadada campanha de Galípoli, na Turquia, da qual Churchill (Brian Cox) foi líder, culminando na morte de mais de 100 mil homens.

A patologia mental de Churchill – a quem ele chamava de ‘Cão Preto’ – teve inicio precocemente em sua vida, após a morte de seu pai durante a infância, crescendo cada vez mais a medida que ele conquistava mais poder dentro do Partido Conservador, tendo como agravante o decorrer da Segunda Guerra Mundial.

O primeiro-ministro ficava paralisado em suas crises, passando muito tempo em sua cama, com pouca energia e interesses. Por vezes perdia o apetite e não conseguia se concentrar em qualquer outra atividade que estivesse realizando, descontando suas frustrações no álcool e nas pessoas que o cercavam.

Em uma primorosa atuação, Brian Cox (X-Men 2) conseguiu mostrar ao espectador todas as falhas, inseguranças e também a mesquinhez que o líder possuía, revelando ao mundo um homem que não aguentava mais carregar o fardo que lhe competia.


The Crown

Foto: Netflix

Mesmo tendo sido lançada em 2016, The Crown, da Netflix, se consagrou como uma das principais produções televisivas da década. Ambientada no início da década de 1950, a série retrata os eventos que levaram a jovem princesa Elizabeth (Claire Foy) a assumir o trono do Reino Unido. Junto a isso, Churchill (John Lithgow) é reeleito, com quase 80 anos, como primeiro-ministro, com a função de coordenar e orientar os primeiros anos da nova monarca.

No poder pela segunda vez, Churchill lidava com as consequências de sua velhice com muito estresse e extravagância. Agarrado à suas antigas vitórias, ele custa a admitir as transformações que o Império Britânico sofria, além de ter que contornar uma grande crise econômica e política gerada pelo fim da guerra. 

John Lithgow (Dexter), que inicialmente temeu assumir o papel, entregou uma das melhores performances de sua carreira, expondo um homem que, por sede do poder, tentava levar seu país nas costas, tendo que conviver com várias gripes e um derrame cerebral. O ápice dos acontecimentos pode ser visto no episódio “Assassino”, na primeira temporada da série, quando o governo britânico encomenda um retrato para comemorar o octogésimo aniversário de Churchill e o mesmo acaba meditando sobre sua vida e situação atual.

Eleito "o maior britânico de todos os tempos", a figura do primeiro-ministro ressoa e inspira muita gente, especialmente no momento atual em que o mundo se encontra, confuso e sem uma grande influência para nos guiar em tempos sombrios.

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