CRÍTICA | Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível

Direção: Marc Foster
Roteiro: Alex Ross Perry, Tom McCarthy e Allison Schroeder
Elenco: Ewan McGregor, Hayley Atwell, Bronte Carmichael, Mark Gatiss, Jim Cummings, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018


Pooh, Ió, Leitão, Tigrão, Coelho, Can, Guru, Corujão e o Bosque dos Cem Acres. Quando Alexander Milne escreveu as histórias destes simpáticos e fofos personagens, não esperava alçar voos tão altos, se consolidando como um fenômeno da literatura infantil. Com o passar dos anos, a turminha saiu das páginas para virarem pelúcias de verdade, ganharam animações, filmes, tudo sob o gerenciamento da Disney, que parece não ter limites para seu plano de dominação do entretenimento mundial. 

Já fazia algum tempo que os personagens de Milne não apareciam nas telonas, já que a última vez havia sido em 2011, com a animação O Ursinho Pooh (Winnie the Pooh). Chegou o momento, porém, de voltarmos ao Bosque dos Cem Acres para uma nova aventura, dessa vez em live-action, com Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível (Christopher Robin).

O longa inicia com os últimos dias da infância de Christopher Robin, que será enviado pelos pais para um colégio interno, mas prometendo que para sempre lembrará de seus preciosos amigos. Os anos passam, Christopher (Ewan McGregor) cresce, inicia um romance com Evelyn (Hayley Atwell), com quem se casa. Dessa amor surge Madeline (Bronte Carmichael), filha que o protagonista só conhece  algum tempo após o nascimento, devido a sua participação na guerra. Após seu retorno, ele é empregado por uma fábrica de malas que está desesperadamente cortando custos na tentativa de não demitir nenhum funcionário. Sua dedicação ao trabalho acaba o afastando de sua família, culminado no triste momento em que Christopher quebra a promessa de viajar com a esposa e a filha para trabalhar no fim de semana.

Foto: Walt Disney Pictures

Eis que, em uma manhã nublada, Pooh (Jim Cummings) acorda e sai para encontrar seus amigos. Estranhamente ele não os encontra, e resolve atravessar a porta da árvore, que o leva a Londres, na tentativa de encontrar o amigo humano de longa data para ajudá-lo. Com isso, um relutante Christopher embarca em uma jornada ao lado do ursinho, na tentativa de descobrir onde estão seus antigos amigos.

O roteiro é um dos pontos fortes da obra, apresentando uma boa premissa e respeitando as características dos personagens clássicos. Há momentos bem-humorados e pontuais, especialmente quando vemos os "animais" descobrindo o "mundo real". As tiradas depressivas de Ió (Brad Garrett) e a inocência de Pooh são um show a parte. No entanto, quando o foco é no núcleo humano, temos diálogos pouco inspirados e situações clichês que são facilmente antecipadas.

Curiosamente essa diferença no roteiro reflete-se na competente direção de arte. Ainda que, inicialmente, os personagens digitais possam causar certa estranheza por seu visual realista, rapidamente o espectador se conecta com a sua infância e compra a ideia. Mesmo com aparência surrada, os personagens continuam fofos e cativantes, mesmo que a atmosfera que os rodeie não seja das mais agradáveis, já que a Londres de Christopher Robin é retratada sempre com uma fotografia cinza e pouco atrativa, justamente por refletir o estado de espírito do protagonista.

Esse conceito também acompanha o figurino do personagem e daqueles que o rodeiam (exceto sua esposa e filha). Sempre vestindo variações de tonalidade entre o preto e o branco, o protagonista aos poucos passa a se reconectar com a infância, permitindo que, em determinado momento, apareça com um suéter vermelho, assim como o de Pooh. Um detalhe singelo, mas muito significativo.

Foto: Walt Disney Pictures

Ewan McGregor (T2 Trainspotting) entrega sua competência habitual, construindo um personagem amargurado com as escolhas que tomou para sua vida, mas que aos poucos se reconecta com seus amigos e familiares, voltando a sorrir. Hayley Atwell (Agent Carter) convence como a dona de casa que só quer que seu marido passe mais tempo com a família, pena que tem pouco tempo de tela. Bronte Carmichael (O Destino de uma Nação), por sua vez, vive a simpática filha do casal, que sofre com a ausência do pai, e que acaba servindo como ponte para que o pai encontre seu rumo.

Ainda que seu trabalho não seja tão reconhecido no Brasil por conta da dublagem nacional, vale citar que Jim Cummings (Pooh e o Efalante) volta a dublar Pooh e Tigrão, trabalho que tem realizado desde 1997. Pooh é um urso avoado, inocente, sempre faminto. Tigrão é espevitado, elétrico e sempre se mete em confusão. As características não poderiam ser mais contrastantes e Cummings faz seu trabalho com competência, nunca permitindo que a voz dos personagens soe igual.

Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível é um acalento nostálgico da infância de muitos, refletindo qualidades que nunca sairão de moda. Trata-se de um belo filme, divertido, bem conduzido, e que dá espaço para a reflexão e emoção. Uma grata surpresa.

Bom

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