CRÍTICA | Juliet, Nua e Crua


Direção: Jesse Peretz
Roteiro: Evgenia Peretz, Jim Taylor e Tamara Jenkins
Elenco: Ethan Hawke, Rose Byrne, Chris O'Dowd, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018


Sabe aquele tipo de comédia romântica agridoce,que apresenta a ternura das relações e aborda com seriedade o momento certo para tomarmos decisões na vida, assumindo nossas responsabilidades? Baseado na obra de Nicky Hornby, intitulada Juliet, Nua e Crua, o filme homônimo de Jesse Peretz (O Idiota do Meu Irmão) vem não apenas para oferecer entretenimento, mas também para trazer importantes mensagens.

Annie (Rose Byrne) está presa a um relacionamento de 15 anos com Duncan (Chris O’Dowd), um fã obsessivo de Tucker Crowe (Ethan Hawke), um rockstar que se afastou dos palcos há 25 anos, no auge da carreira. O relacionamento entre eles é de altos e baixos, e a dedicação de Duncan ao seu ídolo é muito maior do que com sua amada. Ele, inclusive, possui um site abastecido por resenhas sobre a trajetória do músico, lá ele pode registrar todas as suas impressões do ídolo, além de matar a saudade dos tempos áureos do astro do rock da década de 80. Porém, tudo começa a mudar quando surge a demo de uma música inédita de Tucker, gravada há 25 anos, motivo de discussões entre o casal, além de uma resenha publicada por Annie no site do marido, gerando um comentário deixado pelo próprio Tucker. Inicia então um improvável flerte entre a garota e o artista.

Foto: Diamond Films

O primeiro ato da obra se dedica a apresentar tudo o que o espectador precisa saber sobre os personagens, principalmente Annie, que vive os maiores conflitos da trama. Ela é focada no trabalho doméstico, teve a expectativa de ser mãe embaçada pelo marido e a relação é dominada e prejudicada pela rotina. Tucker, por sua vez, chama a atenção não por conta de seu talento para a música, mas pela relação conturbada que tem com a família e a necessidade que sente de se reaproximar de seus filhos, todos eles frutos de relacionamentos com mulheres do passado, que foram abalados pelos problemas do cantor com álcool e drogas.

É a partir do instante em que as vidas de Tucker e Annie se cruzam, que discussões sobre desejos, prioridades e responsabilidades se acentuam. Antes com espírito adolescente e sem iniciativa, as esperanças quanto à vida se reacendem para os dois, e tudo é retratado com sensibilidade e bom-humor, com certa melancolia. Já Duncan, deixa sua vida prejudicada por conta da idolatria ao seu ídolo, pois idealiza várias situações que dificilmente se concretizariam.

A história evolui de forma sistemática, primeiro apresentando os bastidores da fama do astro, em seguida as vidas conturbadas dos personagens e um breve paralelo entre elas, para, por fim, traçar uma ligação entre tudo. Tratam-se de personagens capazes de fazer o público refletir sobre questões como paternidade, a hora de parar e cuidar de si mesmo, a luta pela realização dos próprios sonhos sem se deixar ofuscar pelos alheios, algo que fica evidenciado no belo convívio e na forma como Annie se relaciona com o filho mais novo de Tucker, Jackson (Azhy Robertson).

Foto: Diamond Films

Rose Byrne (Vizinhos) proporciona as grandes viradas da trama. Sua personagem enxerga uma nova chance de alcançar a felicidade e é capaz de mobilizar todos ao seu redor, ganhando aos poucos a confiança dos filhos de Tucker e impondo respeito a Duncan. Ethan Hawke (No Coração da Escuridão) confirma seu talento para a comédia e para momentos mais sérios, além de mostrar uma grande transformação, com um personagem que antes era tido como acabado, tanto para a carreira, quanto para sua família. Chris O'Dowd (A Grande Jogada), por sua vez, representa o mais fanático dos fãs, que se deixa levar por uma imagem criada, mas se afastando totalmente do mundo e perdendo a noção de realidade. 

Juliet, Nua e Crua apresenta uma história divertida, pertinente e reflexiva, com momentos que mexem com a emoção e o imaginário do público. Um bom "filme família", para quem busca entretenimento sem esquecer das complexidades das relações humanas e seus desdobramentos. A chance de buscar novos rumos na vida e as sutilezas para se lidar com as adversidades.

Ótimo

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