CRÍTICA | As Viúvas


Direção: Steve McQueen
Roteiro: Steve McQueen e Gillian Flynn
Elenco: Viola Davis, Liam Neeson, Michelle Rodriguez, Colin Farrell, Robert Duvall, Daniel Kaluuya, Brian Tyree Henry, entre outros
Origem: Reino Unido / EUA
Ano: 2018

As Viúvas (Widows) é o novo trabalho do diretor indicado ao Oscar, Steve McQueen (12 Anos de Escravidão), inspirado no livro de Lynda La Plante. A obra já havia ganhado uma adaptação britânica em formato de minissérie nos anos 80, mas agora é levada às telonas trazendo grande elenco, formado por nomes como Viola Davis (Um Limite Entre Nós), Liam Neeson (Busca Implacável), Michelle Rodriguez (Velozes e Furiosos 6), Elizabeth Debicki (Guardiões da Galáxia Vol. 2), Colin Farrell (O Sacrifício do Cervo Sagrado), Daniel Kaluuya (Corra!), Robert Duvall (Apocalypse Now), entre outros.

A trama conta a história de três viúvas, Verônica Rawlins (Davis), Linda (Rodriguez) e Alice (Debicki) e uma cúmplice, Belle (Cyntia Erivo), que planejam realizar um grande assalto, no mesmo local que seus maridos um dia tentaram roubar e foram mortos. Paralelamente a isso, há uma disputa eleitoral ao cargo de vereador na cidade de Chicago, com ambos os candidatos, Jack Mulligan (Farrell) e Jamal (Brian Tyree Henry), tendo alguma ligação com Harry Rawlins (Liam Neeson), o marido de Veronica.

Co-escrito por Gillian Flynn (Garota Exemplar), o roteiro toca em temas relevantes como ganância, disputas por poder, dinheiro, avareza e, claro, vingança. Alguns desses elementos são atribuídos a Chicago, cidade inserida em meio a uma onda de criminosos e corrupção, com campanhas políticas que visam apontar quem vai controlar o 18º distrito, já há algum tempo nas mãos da família de Mulligan.

Foto: Fox Film do Brasil

As protagonistas demonstram ter muita sagacidade, ambições diversificadas e muita cumplicidade entre si, apesar da resistência ao plano proposto por Veronica no início. A líder do grupo, apesar de ter uma mente deveras perturbada, consegue envolver suas parceiras e engajá-las a aderir ao seu plano, para dar o bote em seus oponentes no momento oportuno.

Com uma narrativa frenética, resta pouco espaço para reviravoltas. Há apenas uma, na verdade, na reta final da história, mas nada que traga prejuízo ao que foi visto pelo espectador ao longo das pouco mais de duas horas de projeção. Cada personagem ilustra perfis bem definidos e com intenções nobres escondidas, mesmo que suas atitudes sejam questionáveis. Vale tudo para alcançar o objetivo desejado, não importam os meios utilizados.

Em termos de atuação, o destaque é Viola Davis. Dotada de grande talento, a atriz mostra que está em uma ascendente impressionante, interpretando papéis fortes, sabendo transmitir emoções ao espectador e fazendo-o derramar lágrimas. Sua personagem movimenta a história e protagoniza boa parte das atenções. Não seria absurdo se fosse novamente indicada ao Oscar.

Já no núcleo masculino, Colin Farrell vive um personagem com sede de poder e disposto a não largar o osso, enquanto a participação de Robert Duvall é um excelente contraponto ao primeiro. Em vez de conselheiro, o pai de Mulligan é o único a querer peitá-lo e fazê-lo desistir de seu propósito de continuar a controlar o clã de sua família.

Foto: Fox Film do Brasil

Apesar do desfecho frustrante, As Viúvas funciona como thriller de ação, com cenas fortes e críticas sociais pesadas. Quem espera um filme meramente dramático e envolvente, certamente vai se surpreender. Trata-se de mais um eficiente trabalho de McQueen, que amadurece cada vez mais a sua filmografia.

Ótimo

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