CRÍTICA | Intimidade Entre Estranhos

Direção: José Alvarenga Jr.
Roteiro: José Alvarenga Jr. e Matheus Souza
Elenco: Rafaela Mandelli, Milhem Cortaz, Gabriel Contente, entre outros
Origem: Brasil
Ano: 2018


Baseado na música de Frejat, Intimidade Entre Estranhos conta a história de Maria (Rafaela Mandelli), que se muda temporariamente para o Rio de Janeiro para estar perto de seu marido Pedro (Milhem Cortaz), que está atuando em uma série de TV. Ela se sente distante de tudo o que lhe faz bem, inclusive do próprio companheiro, que passa o dia nas gravações. 

Após um início de conflitos no relacionamento, Horácio (Gabriel Contente), um jovem introspectivo, síndico e dono de praticamente todo o prédio, parece a única opção de companhia para a moça, que não consegue se adaptar na cidade devido às lembranças que tem com o pai, já falecido. Ainda de luto pelo recente falecimento da avó que o criou e abalado por um término de relacionamento, o menino se isolou do mundo. Unidos pela solidão, a dupla acaba desenvolvendo uma amizade que, aos poucos, vai se tornando mais do que isso. A relação entre eles começa repleta de atritos, mas paulatinamente as divergências são substituídas por uma aproximação que traz um mundo completamente novo aos dois, do qual Pedro não faz parte.

Dirigido por José Alvarenga Jr. (10 Segundos Para Vencer), o longa busca promover um espetáculo através do relacionamento destes dois personagens. Ao iniciar a ideia, vemos que as composições buscarão uma franqueza de misancene que se contrapõe ao texto que busca, constantemente, um encantamento exacerbado por aquele universo estabelecido entre Maria e Horácio.

Foto: Migdal Filmes

O moralismo brasileiro é alvo de uma das críticas feitas pelo diretor, criando pequenas passagens que tentam nos esclarecer visões acerca deste contato entre os dois. Sem criar um juízo de valor quanto a isso, apenas tentando deixar mais a ideia mais cristalina possível, inclusive através da constante representação da água. 

No entanto, todo aquele amor platônico do menino por ela, que de início parece fofo, algo para o espectador torcer, se torna um incômodo quando percebemos que aquela paixão, na verdade é uma obsessão doentia romantizada de um adolescente perturbado. Uma fetichização sexual (principalmente na cena com o beijo lésbico) de divergências comportamentais, parte delas relacionadas a idade, munido de um complexo de busca. A própria concepção da ideia do longa revela fragilidades na estrutura dramática. A divergência estética que vemos na imagem e o que se vê no roteiro contribui ao espectador concluir um tom problemático no desenrolar da história. O projeto parece não entrar em harmonia. 

A música original de Frejat é referência ao esqueleto do texto, não apenas ao nível narrativo ou a construção que o casal possui. O personagem de Milhem Cortaz (Tropa de Elite), Pedro, também se encaixa na música, como um fragmento. Mas essa excessiva quebra da narrativa, a fim de se apegar ao conteúdo original da canção, prejudica o andamento, já que abre sequências inteiras para justificar tal verso ou outro. No fim, a autoria é deixada para trás, dando voz a uma indústria já saturada por um olhar machista mascarado de romance. 

Foto: Migdal Filmes


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