CRÍTICA | White Boy Rick

Direção: Yann Demange
Roteiro: Andy Weiss, Logan Miller e Noah Miller
Elenco: Matthew McConaughey, Richie Merritt, Jennifer Jason Leigh, Bruce Dern, Brian Tyree Henry, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018


White Boy Rick, longa-metragem dirigido por Yann Demange (71: Esquecido em Belfast), conta a história real daquele que se tornou o mais jovem informante do FBI, com apenas 14 anos. Um caso surpreendente e muito conhecido nos Estados Unidos, especialmente no estado do Michigan, onde ocorreram os fatos.

A trama nos presenta a Richard Wershe Jr. (Richie Merritt), o Rick, é um jovem que mora com o pai, Richard Wershe (Matthew McConaughey) e a irmã Dawn (Bel Powley). O patriarca ganha a vida comercializando armas modificadas para traficantes locais e a irmã está envolvida com um criminoso e sofre com o vício em drogas, sempre às turras com o patriarca. Para ajudar no sustento da família, Richard entra nos negócios do pai e acaba se aproximando de um grupo de criminosos. Quando é descoberto pela polícia e o FBI, acaba transformado em um informante, de modo a impedir que seu pai seja preso. 

Alguns elementos ficam evidentes na narrativa, como o ambiente familiar problemático de Rick, que o leva a escolher o caminho "fácil" para conseguir dinheiro. O quadro de pobreza parece irreversível, e o protagonista está largado à própria sorte, o que o leva a apelar para a brutalidade em muitos momentos. Trata-se de um drama denso, com personagens instigantes e que mantem a tensão crescente no espectador.

Foto: Sony Pictures

Apesar de ser sua estreia como ator, Richie Merritt impressiona e é capaz de manter o interesse do público com um personagem inicialmente tímido, mas que aos poucos se transforma, incorporando um impressionante espírito de liderança. Matthew McConaughey (Interestelar), por sua vez, segue mostrando o grande interprete que se tornou, protagonizando aqui algumas cenas de grande brutalidade. Completam o elenco Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados), Brian Tyree Henry (Atlanta) e Bruce Dern (Nebraska), como os agentes que auxiliam Rick na investigação.

Infelizmente alguns aspectos de roteiro soam prejudiciais a obra, como a falta de desenvolvimento da relação de pai e filho entre Rick e Richard, o acordo do jovem com os policiais, ou mesmo os traumas de seu passado. São elementos que poderiam ter trazido maior profundidade a narrativa, ainda que tenham sido apresentados de maneira apressada. Por outro lado, a aproximação do pai com a filha Dawn, que a principio parece improvável, se torna peça chave para o andamento da narrativa, sendo muito bem trabalhada.

Ainda que apresente problemas de estrutura, White Boy Rick tem uma ótima premissa e ilustra bem o ambiente de violência e instabilidade que vivia os Estados Unidos na década de 80, principalmente no Michigan. Um filme que cumpre com a sua proposta, mas deixa aquele gostinho de que poderia ter sido melhor desenvolvido.

Foto: Sony Pictures

Bom

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