CRÍTICA | Calmaria

Direção: Steven Knight
Roteiro: Steven Knight
Elenco: Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Diane Lane, Jason Clarke, Djimon Hounsou, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2019


Após assistir ao trailer de Calmaria (Serenity), não é tão simples deduzir seu tema, mas é possível induzir que algo não está certo na Ilha de Plymouth, onde se passa a história. É bem viável supor, então, traços de paralelos com filmes como O Show de Truman (1998) e Ilha do Medo (2010). Qual seria a motivação do protagonista nessa trama? Ela sequer existe?

Matthew McConaughey (White Boy Rick) não tem problemas em entregar um personagem visivelmente perturbado e instável. Inclusive, pode-se considerar que sua atuação é um dos poucos elementos que conseguem prender nossa atenção durante os 107 minutos de duração do longa-metragem.

Escrito e dirigido por Steven Knight (Locke), a obra desenrola-se em uma ilha onde todos sabem da vida de todos. Baker Dill (McConaughey) é um pescador que parece obcecado em capturar um peixe considerado imaginário pelos outros. Tudo muda com a chegada de Karen (Anne Hathaway), ex-mulher e mãe do filho de Dill, que oferece dinheiro para que ele mate seu violento e atual marido. 

Foto: Diamond Films

Outra das limitadas características positivas do filme são as imagens estonteantes de sua fotografia, repleta de paisagens belíssimas e paradisíacas que estão sempre muito bem iluminadas. A luz e as cores fortes passam a impressão de algo “ilusório” ou até mesmo uma “aura” de sonho. Além disso, há uma atmosfera de suspense e enigma que pressupõe um certo tom de surrealismo. Algumas ocorrência são simplesmente estranhas. 

Mal entramos no segundo ato do longa e o roteiro já deixa claro que existe um mistério ali que será revelado no terço final da narrativa. O problema da produção, no entanto, é subestimar levemente a inteligência do espectador. Tudo é muito auto explicado, como se não fôssemos capazes de interpretar as imagens que vemos em tela. Muitos diálogos são expositivos e desnecessários, o que enfraquece o valor da obra.

E ainda que o mistério seja apresentado no momento certo, a resolução é entregue cedo demais. Mesmo com as várias pistas anteriores, que só poderiam nos levar a um único caminho, entregam-nos as respostas explicitamente. Talvez tenha tido uma tentativa do roteiro de nos fazer duvidar do que nos foi revelado. Pode ser que a pergunta “e se não for isso?” tenha passado pela nossa cabeça, mas não permaneceu por muito tempo. Os sinais eram muito óbvios. 

Foto: Diamond Films

A premissa de Calmaria é interessante e, de fato, intrigante, no entanto, poderia ter sido melhor desenvolvida para prender a atenção do espectador um pouco mais, nos mantendo fixados com a narrativa, ao invés de nos entregar respostas tão facilmente. Somado ao bom elenco que tinha em mãos, me parece uma oportunidade desperdiçada por Knight.

Bom

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