CRÍTICA | Capitã Marvel

Direção: Anna Boden e Ryan Fleck
Roteiro: Anna Boden, Ryan Fleck e Geneva Robertson-Dworet
Elenco: Brie Larson, Samuel L. Jackson, Jude Law, Ben Mendelsohn, Annette Bening, Clark Gregg, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2019


O novo passo do Marvel Studios é também sua primeira aventura protagonizada por uma mulher no cinema. A introdução de sua heroína mais poderosa e, se não bastasse, uma ponte entre Vingadores: Guerra Infinita e o aguardado Vingadores: Ultimato. Uma aventura simples, mas poderosa e empolgante.

Capitã Marvel (Captain Marvel) conta a história de uma cidadã Kree chamada Vers (Brie Larson), que possui lapsos de memórias de uma vida desconhecida, poderes incontroláveis e está em treinamento para se tornar uma das defensoras de seu povo. Uma rotina intensa e necessária para que o público compreenda certos comportamentos da heroína.

Todo o primeiro ato da obra, desenvolvido no espaço, soa mais denso que o restante da narrativa, soando até mesmo explicativo demais.  Quando a protagonista vai parar na Terra é que a trama engrena de verdade. Em uma de suas missões, Vers é raptada pelos asquerosos Skrulls, que “liberam” algumas de suas lembranças como Carol Denvers. Então, ela consegue escapar e partir para o nosso planeta em busca de respostas.

Foto: Marvel Studios

A busca pela verdadeira identidade da heroína é inicialmente apresentada como um thriller de perseguição à moda dos filmes policiais da década em que o filme se ambienta. Muito do charme de Capitã Marvel vem de dois elementos básicos ao espectador. O primeiro deles é a ambientação nos anos 1990, com aparelhos tecnológicos obsoletos (pagers e orelhões), roupas características e uma trilha sonora inesquecível para quem viveu tal década. O segundo é Samuel L. Jackson (Vidro), que, com seu imenso carisma e talento, tem a chance de encarnar seu personagem com mais leveza, tornando-se alívio cômico e a escada perfeita para a protagonista brilhar em tela. A dupla Denvers e Fury é o coração do longa.

Brie Larson (O Castelo de Vidro), como era esperado, incorpora o espírito da Carol Denvers dos quadrinhos e entrega uma atuação segura e justificada pela trama. Ao passo que a personagem vai recuperando as memórias de sua vida passada, ela vai se tornando mais debochada e segura de si. E Larson, com seu talento, consegue imprimir carisma mesmo quando a protagonista está sendo marrenta.

É importante destacar que a obra ressalta o longo caminho que as mulheres precisam atravessar para serem reconhecidas e donas de suas próprias vidas. Toda a narrativa é construída a partir da posição feminina perante o mundo, bem como das limitações que a sociedade impõe a elas, seja para almejar uma carreira militar, seja para mostrar a sua enorme força interior. Nesse ponto, o fato de termos uma mulher na co-direção é um ganho tremendo.

Foto: Marvel Studios

A condução de Anna Boden (Se Enlouquecer, Não Se Apaixone) e Ryan Fleck (Half Nelson: Encurralados) é bastante competente. Os cineastas empregam uma boa dinâmica ao filme, especialmente nos momentos de ação, entendendo a necessidade de impor a representatividade feminina sem que soe forçado ou panfletário. Fica claro que eles entenderam a grandiosidade da personagem, suas motivações e características, retratando uma heroína badass do jeito que esperávamos.

O roteiro ainda permite o desenvolvimento de personagens secundários bastante relevantes. Maria (Lashana Lynch) tem uma relação de muita sororidade com sua amiga Carol, demostrando a força com que uma apoia a outra, rendendo ótimos momentos. Da mesma forma, Jude Law (Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald), no papel de Yon-Rogg, entrega uma atuação padrão para um personagem frio e idealista.

Muito provavelmente teremos comparações de Capitã Marvel com Mulher-Maravilha (2017), pela influência positiva que os longas trouxeram ao público e a indústria cinematográfica como um todo, mas se tratam de obras bem diferentes. Aqui é possível enxergar o universo espacial adaptado por James Gunn (Guardiões das Galáxias) para as telas, mas carregando influências dos filmes do Capitão América, por exemplo, ou mesmo do Superman. O primeiro, em relação ao seu senso de justiça e sua ambição para se mostrar capaz de superar dificuldades, assim como ambos personagens possuem origem militar antes de ganhar seus poderes. O segundo, por saber que, mesmo com estes poderes, tem que entender seu papel de inspiração para as crianças e dividir seu tempo entre salvar o universo e descobrir sobre seu passado.

Foto: Marvel Studios

Com duas cenas pós créditos, um gato absolutamente hilário, um Samuel L. Jackson impagável, personagens e objetos importantes do Universo Cinematográfico Marvel, nostalgia noventista na veia, uma ótima trilha sonora e uma mulher superpoderosa tomando o controle de tudo, Capitã Marvel, mesmo com alguns defeitos, serve também para apresentar o principal nome da próxima década de filmes do estúdio. Vida longa ao MCU

Ótimo

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