CRÍTICA | Toy Story 4

Direção: Josh Cooley
Roteiro: Andrew Stanton e Stephany Folson
Elenco: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Annie Potts, Christina Hendricks, Keanu Reeves, Jordan Peele, Keegan-Michael Key, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2019


O anúncio de que seria produzido mais uma sequência para Toy Story deixou muitos fãs contrariados, questionando a necessidade da existência de uma nova história, já que Toy Story 3 (2010) havia encerrado a trilogia original de forma perfeita. É um alívio dizer, portanto, que a Pixar acertou em cheio nesse novo filme, abrindo uma gama de possibilidades para o futuro da franquia e dos brinquedos que tanto amamos.

O primeiro longa, lançado em 1995, foi um grande sucesso e mudou para sempre o rumo das animações com sua tecnologia revolucionária. No entanto, mesmo com as inovações digitais, John Lasseter (Vida de Inseto) sempre deixou claro que o foco do estúdio é o roteiro, premissas marcantes que se conectam com o público infantil e adulto. Esse "modelo de negócio" caracteriza a Pixar até hoje, mesmo que uma ou outra obra soe mais como peça de marketing.

Toy Story 4 é uma aventura memorável sobre amor, amizade e lealdade. Em um novo cenário, a animação foge dos moldes dos filmes anteriores e expande seus horizontes, ao mesmo tempo em que apresenta novas personagens e toda uma nova maneira de se explorar as possibilidades de se existir como um brinquedo.

Após serem doados, Woody (Tom Hanks), Buzz (Tim Allen), Jessie (Joan Cusack) e seus amigos vivem seus dias como brinquedos da Bonnie (Madeleine McGraw). O cowboy passa a ter crises existenciais, uma vez que seu papel de xerife e líder da turma é posto em xeque na nova casa, fazendo-o se sentir sem propósito. Bonnie, por sua vez, ao passar de série na escola, começa a viver novas experiências e inseguranças e, para aliviar suas angústias e medos, cria um brinquedo a partir do lixo para ser seu companheiro nessa nova etapa.

Foto: Disney / Pixar

O fofo e hilário Garfinho (Tony Hale), com seu jeito maluco e desequilibrado, é trazido para casa, mas não aceita ser um brinquedo e tenta constantemente se atirar no lixo, não querendo mais viver nessas condições. Woody vê nele a chance de ter uma nova função e tenta ajudá-lo a entender o que ele é agora. Em uma viagem para um parque de diversões, o Garfinho se perde dos outros e cabe a Woody trazê-lo de volta para Bonnie. E a partir daí a trama se desenrola.

De início, o roteiro lembra bastante a trama original, quando somos apresentados a Buzz, que não aceita seu papel de brinquedo. No entanto, os roteiristas surpreendem ao distorcer a expectativa do espectador. Woody reencontra a sua antiga namorada, a Pastorinha Betty (Annie Potts), e começa a questionar sua concepção do que é ser um brinquedo e qual o seu papel no mundo. Um drama comum, mas que traz identificação ao espectador.

E falando em Betty, uma das atualizações positivas é o empoderamento da personagem. Ela, que antes era vista apenas como companheira de Woody, agora é forte e independente, utilizando de sua inteligência e malandragem para sobreviver. Sua própria amiga se surpreende ao saber que algum dia ela foi “do lar”. Até seu figurino está diferente, sem a saia pomposa e rodada, usando calça e até uma capa (!), soando realmente como uma super-heroína, que lidera as missões e se impõe nas ações. 

Um aspecto negativo para qualquer fã da franquia é que personagens coadjuvantes queridos como Jessie, Rex (Wallace Shawn) e Slinky (Blake Clark), dessa vez não são tão participativos ou importantes para a trama principal, ficando muitas vezes em segundo plano. A escolha é justificável, mas se pensarmos que acompanhamos esses personagens por tanto tempo, dá uma dorzinha no coração. Buzz, contudo, volta mais divertido do que nunca, passando a agir de forma mais intuitiva e cômica.

Foto: Disney / Pixar

Os novos personagens têm papéis de pesos diferentes. A boneca Gabby Gabby (Christina Hendricks) apresenta uma abordagem bastante interessante sobre abandono e serve pra mostrar até que ponto as pessoas chegam com a necessidade de se sentirem amadas. Os bichos de pelúcia Ducky (Keegan-Michael Key) e Bunny (Jordan Peele) são responsáveis pelos momentos mais engraçados. Já a xerife, amiga de Betty, é a clássica companheira leal e tagarela que também rende boas risadas, enquanto o dublê Duke Caboom traz todo o carisma de Keanu Reeves (John Wick 3: Parabellum) em cena. 

Ainda que a animação traga muitas novidades, o clima nostálgico e o respeito com a essência da franquia não deixa de existir. Diferente da obra anterior, não há clima de encerramento, pelo contrário. A ideia é que novas aventuras possam surgir. Ainda que alguns personagens antigos tenham pouca participação, provavelmente não será a última vez que os veremos, ainda mais se levarmos em conta o iminente lançamento do Disney+, o serviço de streaming da Disney, que certamente englobara projetos da Pixar.

Muito além da nostalgia, Toy Story 4 investe em uma trama de alto padrão, com a qualidade perfeccionista característica do estúdio. A capacidade da Pixar em usar temas adultos em uma animação segue sendo seu ponto alto, emocionando e fazendo o público sair satisfeito do cinema, independentemente da idade.

Foto: Disney / Pixar


Ótimo

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