CRÍTICA | Duas Rainhas

Direção: Josie Rourke
Roteiro: Beau Willimon
Elenco: Saoirse Roman, Margot Robbie, Jack Lowden, Richard Cant, entre outros
Origem: Reino Unido / EUA
Ano: 2018


Durante a produção de Duas Rainhas (Mary Queen os Scots), se falava bastante da possibilidade de indicações ao Oscar 2019, muito em função das transformações poderosas de suas protagonistas, Saoirse Ronan (Lady Bird: A Hora de Voar) e Margot Robbie (Eu, Tonya). A expectativa, porém, não se concretizou, rendendo a obra apenas as indicações de melhor figurino e melhor maquiagem e penteado, algo que atrapalhou até mesmo seu lançamento no Brasil, estreando em circuito limitadíssimo.

Dirigido pela estreante Josie Rourke, o longa conta a história real do embate entre Mary Stuart (Ronan) e Elizabeth I (Robbie) pelo governo da Inglaterra no século XV. Trazendo Mary como protagonista, a trama mostra o retorno da jovem, na época com 18 anos, para sua terra natal, a Escócia, após a morte do marido, o Rei Francis II, da França. Seu desejo é recuperar o trono que lhe é legítimo, mas que está sob o domínio de Elizabeth, o que acaba causando todo o conflito.

Em meio a revoltas, rebeliões e conspirações de ambos os lados, as rainhas precisam se impor em um meio predominantemente masculino, buscando uma maneira de se manter ou chegar ao poder. E ainda que o roteiro peque na reconstituição de um ou outro fato histórico, o principal problema de Duas Rainhas é a falta de contextualização ao espectador, que pode facilmente se perder na trama, caso não conheça as motivações das personagens.

Foto: Universal Pictures

Ainda assim estamos falando de uma história poderosa, especialmente por trazer duas personagens femininas marcantes enfrentando uma sociedade essencialmente machista e que está constantemente contra elas. O filme debate temas como a obrigatoriedade do casamento, bem como o seu uso como arma política; o desconforto ao ver mulheres em posições altas de governança; e discute, também, a influência da religião em reinos e governos, algo sempre bastante perigoso.

Não há interesse aqui em apresentar vilãs ou mocinhas. Não espere, portanto, escolher um lado para comprar uma ideia. A proposta e a discussão são mais profundas que isso, e esse é o principal atrativo da obra, como um todo.

Em se tratando de quesitos técnicos, os figurinos e a maquiagem são impecáveis, justificando ambas as indicações ao Oscar. Já a cinematografia também merece menção, justamente por valorizar o trabalho de cores estabelecidos pelo figurino e pela maquiagem.

No mais, para aproveitar devidamente Duas Rainhas, tenha em mente que o contexto histórico trará imenso ganho na sua experiência, fazendo com que o filme o cative e cumpra a sua proposta. Necessitar de elementos externos para funcionar enquanto narrativa, no entanto, é seu principal defeito.

Foto: Universal Pictures


Ótimo

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