CRÍTICA | Doutor Sono


Direção: Mike Flanagan
Roteiro: Mike Flanagan
Elenco: Ewan McGregor, Rebecca Ferguson, Kyliegh Curran, Jacob Tremblay, Henry Thomas, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2019


Desde que vieram à tona as reclamações de Stephen King acerca da adaptação de O Iluminado (The Shining), dirigida por Stanley Kubrick (Laranja Mecânica), muitas dúvidas surgiram sobre Doutor Sono (Doctor Sleep), continuação direta dos eventos do filme de 1980 sob a direção de Mike Flanagan (A Maldição da Residência Hill).

A narrativa nos re-apresenta a Danny Torrance (Ewan McGregor) após a fuga do Hotel Overlook, palco de eventos insanos e traumáticos pelos quais passou quando criança. Já adulto, Torrance tem o álcool como válvula de escape e acaba por conhecer Abra Stone (Kyliegh Curran), uma garota que possui poderes sobrenaturais tão fortes quanto os dele, como ler mentes e enxergar espíritos. Ambos passam a ser alvo do grupo "Verdadeiro Nó", liderado por Rose, a Cartola (Rebecca Ferguson), que se alimenta de seres brilhantes, ou melhor, iluminados. 

Mesmo com ritmo lento a princípio, Flanagan apresenta as características de seus personagens, bem como suas trajetórias até aquele ponto, antes de mergulhar no conflito principal. E um de seus acertos está em manter o clima perturbador e macabro de seu predecessor, fazendo as devidas conexões com a obra-prima de 1980.

Foto: Warner Bros Pictures
O Iluminado, aliás, ganha referências diretas, como o corredor banhado de sangue, a aparição das meninas gêmeas, Danny andando de triciclo no corredor, entre outras, mas cada uma delas possui funções narrativas e não estão na tela apenas em nome da nostalgia. O mesmo podemos dizer da trilha sonora marcante da obra original, que retorna aqui interligando as duas obras de forma exemplar.

Outro atrativo é o elenco. Rebecca Ferguson (Missão: Impossível - Efeito Fallout) mostra que sua personagem é repleta de camadas e dela se pode esperar tudo, das mais diferentes habilidades como formas de execução de suas vítimas, bem como a ocasião certa para atacá-las. Ewan McGregor (Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível) é hábil em transmitir o trauma de Danny Torrance, mas acaba ofuscado pelo roteiro, que volta suas atenções para a personagem de Kyliegh Curran (I Can I Will I Did), uma espécie de braço-direito do protagonista e uma força contra o "Verdadeiro Nó". 

Vale também destacar o bom uso dos efeitos digitais, como as cenas que se desenrolam nas mentes dos dois personagens iluminados, assim como o brilho nos olhos dos integrantes do "Verdadeiro Nó". A montagem também favorece a narrativa, deixando-a fluida e reservando boas surpresas ao espectador, que pode esperar novidades  além de simples referências ao filme anterior, o que é sempre bom.

Foto: Warner Bros Pictures

Envolvente e perturbador, Doutor Sono vem com a proposta não apenas valorizar o legado deixado por um dos maiores diretores da história do cinema, mas também de pensar fora da caixa e desviar de fórmulas conhecidas de filmes de horror e suspense. Características marcantes do próprio Stephen King enquanto autor. O que não poderia fazer mais sentido.

Bom

Comentários

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...