CRÍTICA | Ilha do Medo

Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Laeta Kalogridis
Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Michelle Williams, Max von Sydow, entre outros
Origem: EUA/Alemanha
Ano: 2010


Ilha do Medo (Shutter Island) é uma história sobre fantasmas. Não aqueles que habitam a maioria dos filmes de terror. Invisíveis, que derrubam objetos no chão e fazem portas rangerem sozinhas. Mas sim de fenômenos ainda mais terríveis e assombrados: os traumas. Como eles se infiltram na mente humana e como a modificam é a grande questão da obra dirigida por Martin Scorsese (Os Infiltrados). 

O roteiro de Laeta Kalogridis (Alita: Anjo de Combate) é baseado no livro de Dennis Lehane, que acompanha os agentes federais Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) e Chuck Aule (Mark Ruffalo) em uma investigação conduzida em Shutter Island devido ao desaparecimento de uma paciente. A ilha abriga uma instituição para insanos e criminosos e Daniels acredita que lá também são realizadas experiências no cérebro humano pelo governo dos Estados Unidos. 

A cada virada de cena desenrolam-se as tantas camadas desse suspense. Somos ambientados em uma ilha sombria, chuvosa e nublada, com uma fotografia de cores frias e desaturdas. Sentimo-nos claustrofóbicos em todo o seu percurso. Uma sensação também experimentada pelo protagonista, que acaba entrando em um caminho repleto de questionamentos acerca da loucura. 

Foto: Paramount Pictures

O que é a loucura senão o desvio de um comportamento considerado “normal” e “correto”? Quem tem a autoridade para designar tais classificações? Em um momento do longa-metragem, uma personagem pergunta à Daniels se ele teve algum trauma passado, ao que ele responde que sim. Ela então diz que isso será usado contra ele, alegando sua insanidade. O protagonista responde, então, que todos nós temos algum fantasma. No entanto, o contexto e a significância dada podem ser demarcados. 

Outro ponto interessante a se destacar é a Segunda Guerra Mundial, que serve como espécie de pano de fundo para Ilha do Medo. Todos os monstros, fantasmas e cicatrizes causadas pelo conflito. Ali vemos que até mesmo os vencedores perdem. As ramificações, as raízes e as teias criadas a partir de um fato histórico que se espalham e se instalam nas mentes e ambientes de milhares de pessoas. Torna-se um personagem próprio, difícil de ignorar. 

Para os fãs de suspense, o desfecho de Ilha do Medo pode até ser previsível, mas não deixa de chocar. É incrível -  e assustador  - perceber o quanto a mente humana pode se adaptar. Quantas saídas e escapes pode encontrar, quantas voltas e ilusões pode criar em razão da sobrevivência. Os fantasmas que nos assombram somos nós mesmos que criamos, alimentamos e matamos. 

Foto: Paramount Pictures


Bom

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