CRÍTICA | Ilha dos Cachorros

Direção: Wes Anderson
Roteiro: Wes Anderson
Elenco: Bryan Cranston, Koyu Rankin, Edward Norton, Bill Murray, Jeff Goldblum, Bob Balaban, Liev Schreiber, entre outros
Origem: Alemanha / EUA
Ano: 2018


Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs) se passa em uma cidade Japonesa chamada Megasaki. A metrópole está passando por um problema de super população canina e isso está gerando inúmeras doenças que estão prestes a infectar a população humana. O prefeito Kobayashi (Kunichi Nomura), decide então exilar todos os cachorros da cidade para a Ilha do Lixo. De forma a garantir sua releição, o político resolve enviar Spots (Liev Schreiber) primeiro, o cão de guarda de seu tutelado de 12 anos, Atari (Koyu Rankin).

Seis meses após o exílio canino, Atari rouba um monomotor para ir até a Ilha do Lixo resgatar seu cão. Lá ele encontra um grupo de cachorros chamados Chief (Bryan Cranston), Rex (Edward Norton), Boss (Bill Murray), King (Bob Balaban) e Duke (Jeff Goldblum), que ao tomarem conhecimento do propósito do garoto, decidem ajudá-lo a procurar Spots na agora "Ilha dos Cachorros".

O último longa de animação stop motion dirigido por Wes Anderson (Os Excêntricos Tenenbaums) havia sido O Fantástico Sr. Raposo (Fantastic Mr. Fox), de 2009. De lá pra cá o cineasta, que é conhecido por seus enquadramentos precisamente alinhados e por sua cinematografia repleta de cores em tons pasteis e histórias com um humor cativante e pitadas de melancolia, nos trouxe obras como Moonrise Kingdom (2012) e O Grande Hotel Budapeste (2014), filme que lhe rendeu a indicação ao Oscar de melhor diretor.

Foto: Fox Film do Brasil

O roteiro, que é do próprio Anderson, apresenta uma trama linear, mas com alguns flashbacks e subtramas que ajudam o espectador a compreender a extensão do problema que Atari causou ao ir até a Ilha dos Cachorros. Parte desse contexto vem também do recurso de narração em off, feita eficientemente pelo cão chamado Júpiter (F. Murray Abraham), que passeia pelos mais diversos cenários japoneses.

Aliás, aqui devo abrir um parenteses para falar da qualidade da animação em si. O trabalho de stop motion realizado é primoroso, com um nível de detalhamento minucioso, que faz brilhar os olhos em cada frame.  Cada cena é admirável, seja a luta de sumô, o restaurante de Sushi, as fábricas de reciclagem, a sala de cirurgia e, claro, a própria Ilha e nossos protagonistas caninos, repletos de personalidade e características próprias que os diferenciam.

E falando especificamente dos nossos amigos de quatro patas, é interessante como o roteiro trata a comunicação entre cães e pessoas em tela. Todos os cachorros falam em inglês, enquanto a grande maioria dos humanos fala apenas em japonês. Tal escolha reforça como os animais vivem no nosso mundo, como eles não conseguem entender metade do que falamos e mesmo assim confiam em nós, e estão dispostos a nos protegem e ajudar.

Foto: Fox Film do Brasil

Evidentemente a obra é também uma ode a cultura japonesa, seja na música que invoca tambores pesados ou na estética dos personagens, na tecnologia futurista daquele universo fictício ou na própria organização social da cidade de Megasaki. Wes Anderson soube saúda o Japão com uma animação que se destacada das demais, tamanho carinho e dedicação refletidos na projeção.

Ilha dos Cachorros é mais um grande feito de Anderson, da concepção à execução magistral. A história de lealdade, resiliência e amor incondicional que os cachorros têm pelas pessoas foi representada de forma cativante e emocionante. Não dava para esperar menos de um artista magnífico, que evolui a cada lançamento de sua filmografia.

Excelente

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