CRÍTICA | Johnny English 3.0


Direção: David Kerr
Roteiro: William Davies
Elenco: Rowan Atkinson, Ben Miller, Olga Kurylenko, Emma Thompson, entre outros
Origem: Reino Unido / França / EUA
Ano: 2018

Famoso por interpretar Mr. Bean e cativar o público com seu humor divinamente estúpido, Rowan Atkinson (Simplesmente Amor) retorna em Johnny English 3.0 (Johnny English Strikes Again), para viver novamente o agente secreto britânico que só falta explodir a Terra, tamanhas são as suas loucuras. O diretor Davir Kerr (A Midsummer Night's Dream) comanda esse terceiro filme, que chega não apenas para matar a saudade do personagem, mas também para mostrar que a franquia não está morta e ainda tem lenha para queimar.

Em sua nova aventura, o agente secreto é convocado pela Primeira-Ministra da Grã-Bretanha (Emma Thompson) para solucionar um ataque cibernético ocorrido em Londres, ato que revelou as identidades de todos os agentes ingleses. Retirado de sua aposentadoria, English terá que desvendar a autoria dos ataques, bem como capturar o responsável, mas, para isso, terá que superar todos os desafios que o novo mundo tecnológico proporciona e aumentar suas habilidades, já que está mais acostumado com meios analógicos de espionagem, dotada de métodos e apetrechos muito antigos.

A franquia Johnny English é evidentemente uma paródia à saga 007. A aposta no humor físico rendeu elogios ao primeiro filme, Johnny English (2003), e críticas modestas ao segundo, O Retorno de Johnny English (2011), já que as situações apresentadas eram previsíveis, ridicularizando pontos turísticos famosos, populares e autoridades, e sempre saindo por cima, por mais vexatória que fosse a situação. Após um hiato de sete anos, a expectativa é a de que a terceira parte apresentasse alguma novidade, porém a fórmula permanece a mesma, ainda que a narrativa apresente algumas reviravoltas e momentos sérios pontuais vividos por nosso protagonista.

Foto: Universal Pictures

English investiu na carreira de professor, mas não o que leciona da maneira convencional, com quadro negro e giz, ele ensina técnicas de espionagem e apresenta todos os artefatos possíveis em operações complexas para seus alunos de escola primária, deixando as aulas mais divertidas e arrancando risos da plateia. Além disso, temos personagens secundários eficientes, que servem como escada para o protagonista desenvolver suas situações pitorescas, principalmente quando Olga Kurylenko (007: Quantum of Solace) e Ben Miller (Paddington 2) estão em cena. A primeira, na pele da agente russa Ophelia Bhuletova, e o segundo o agente Bough, fiel escudeiro de Johnny. Os dois personagens possuem arcos dramáticos diferentes e complexos, mas que se cruzam e são cruciais na resolução do conflito final. 

Tecnicamente falando, o uso de planos aéreos para destacar as perseguições e trapalhadas do protagonista, além da escolha de locações como Paris, Londres e Edimburgo, são um ponto forte do filme. As cidades não são meros palcos para as ações, mas se tornam também personagens da trama.  

Vale também citar a trilha sonora, que em dados momentos assume tom de filme de ação, fazendo o espectador esquecer de que está assistindo uma paródia.

Por mais que seja divertido e tenha um teor nostálgico, Johnny English 3.0 ainda carece de elementos inovadores e capazes de atingir novos públicos para as peripécias de um agente carismático, irreverente e bastante atabalhoado. Que Rowan Atkinson é capaz de carregar um filme nas costas e divertir a plateia é indiscutível, mas até quando a aposta será inteira em cima do ator? 

Foto: Universal Pictures


Bom

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