CRÍTICA | O Tradutor

Direção: Rodrigo Barriuso e Sebastián Barriuso
Roteiro: Lindsay Gossling
Elenco: Rodrigo Santoro, Maricel Álvarez, Nataliya Rodina, entre outros
Origem: Cuba / Canadá
Ano: 2018


Dirigido pelos irmãos cubanos Rodrigo e Sebastián Barriuso, O Tradutor (Un Traductor) conta a história real do pai deles, Manuel Barriuso Andino, durante o período da Guerra Fria e o acordo entre Cuba e a União Soviética para cuidar das vítimas do acidente em Chernobyl.

Malin (Rodrigo Santoro), um professor de literatura russa, é transferido da Universidade de Havana, onde dá aulas, para um hospital, onde se vê obrigado a traduzir o diagnóstico dos médicos para as famílias soviéticas desafortunadas e vítimas do desastre nuclear. Ele é designado pelo governo de seu país para trabalhar na ala infantil, e logo em seu primeiro dia fica chocado com o estado dos pacientes  que encontra, chegando a pedir a outro professor para trocar de setor.

Sem sucesso, acaba apenas aceitando e se envolve cada vez mais com o trabalho, se vendo responsável por animar e representar a esperança para essas crianças, que sofrem diariamente. Então, esse novo trabalho começa a interferir em sua vida pessoal, afetando seu casamento e o distanciando do filho. A mudança é perceptível em pequenos detalhes, como em seu semblante, que acaba ficando sempre cansado e sério, fora o fato de não ouvir mais música em seu carro, indo trabalhar em silêncio.

Foto: Galeria Distribuidora

Ao mesmo tempo em que passa a ler histórias para crianças russas em seu tempo livre, as fazendo sentir melhor, dentro de casa ele apenas dorme, esquece de cuidar do filho e menospreza o trabalho de sua mulher Isona (Yoandra Suárez), que, por sua vez, acaba tendo que cuidar de todas as outras questões da família sozinha. Em meio a esses conflitos pessoais, Cuba passa por grandes problemas financeiros, outro fator que abala imensamente a vida dentro da casa. 

O longa apresenta muitas cenas que emocionam, entre elas, a queda do Muro de Berlim e, junto disso, uma época de muita dificuldade econômica iniciando, onde as relações com a URSS também acabaram. Nesse ponto, o roteiro de Lindsay Gossling (Hailstorm) é hábil em nos impactar, fazendo-nos refletir a respeito de cada acontecimento visto em tela. Isso sem contar a interpretação poderosa de Rodrigo Santoro (Westworld), que passa o filme todo dialogando em espanhol e russo com muita propriedade.

Os irmãos Barriuso dirigiram O Tradutor de forma muito pessoal e delicada, algo que é sentido em tela, deixando a história ainda mais emocionante. Temos aqui uma lição sobre empatia, mostrando como um simples gesto pode ser bem importante na vida do outro, nos fazendo refletir sobre o nosso papel como cidadãos e nos ensinando a estender a mão e tentar buscar uma alternativa de salvar vidas diariamente. Nem que seja contando histórias ou fazendo um avião de papel.

Foto: Galeria Distribuidora


Bom

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