CRÍTICA | A Maldição da Chorona


Direção: Michael Chaves
Roteiro: Mikki Daughtry e Tobias Iaconis
Elenco: Linda Cardellini, Raymond Cruz, Marisol Ramirez, Tony Amendola, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2019


Sabe aquelas histórias que remetem ao folclore de um país, com casos inusitados relatados por décadas, ou séculos, e estão na boca do povo ainda atualmente? O que está relacionado ao sobrenatural mexe com os nervos das pessoas, motivando reações as vezes incontroláveis. Derivada da franquia Invocação do Mal (2013) e produzida por James Wan (Aquaman), A Maldição da Chorona (The Curse of La Llorona) é uma produção norte-americana que retrata um icônico mito mexicano.

O longa inicia em 1673, no México, com a aparição horripilante da mulher chorona, presa entre o céu e o inferno, em um terrível destino selado por seus próprios atos. Em vida, tomada pela raiva, afogou seus filhos em um rio e jogou-se atrás deles enquanto chorava de dor. Agora, suas lágrimas tornaram-se eternas e letais. Já aqueles que a ouvirem chamando durante a noite estarão condenados à morte. A Chorona se arrasta nas sombras e ataca crianças, desesperada para substituir as dela. Com o passar dos séculos, os métodos se tornam mais vorazes e aterrorizantes.

Após 300 anos, em Los Angeles, a assistente social Anna (Linda Cardellini) é chamada à casa de Patricia (Patricia Velasquez), cujos filhos não aparecem na escola há dias. Após vasculhar a casa, ela os encontra trancados num armário com um selo protetor pintado na porta, algo que Patricia fez para protege-los da Chorona. Pouco tempo depois, Anna passa a ver seus próprios filhos em perigo, assombrados pela entidade.

Foto: Warner Bros Pictures

O cineasta Michael Chaves, estreante em longas, procura seguir a identidade criada por James Wan para esse "universo", com tomadas fechadas e utilizando uma fotografia soturna, com muita sombra. A qualidade da produção, outro aspecto comum na franquia é notada, especialmente na ambientação dos anos 70, que funciona muito bem. Já a maquiagem da Chorona se mostra eficiente e similar a empregada em A Freira (2018), com a entidade fazendo aparições repentinas e rendendo bons sustos.

Se a estética agrada, o mesmo não se pode dizer do roteiro, que até apresenta uma premissa interessante, mas não oferece grandes reviravoltas ou mesmo um clímax empolgante. A Chorona deixa de ser tão assustadora a medida que a obra segue, ao passo que alguns personagens promissores são pouco aproveitados, entre eles o padre Perez (Tony Amendola), tão presente em Annabelle (2014), por exemplo, e o curandeiro espiritual Rafael Olvera (Raymond Cruz). O segundo até possui importância na resolução do conflito, mas exerce na verdade um papel de alívio cômico, diminuindo a tensão do espectador.

O ponto alto da produção vai para Linda Cardellini (Green Book: O Guia), que entrega a competência de costume, passando credibilidade para sua protagonista. Já a colombiana Patricia Velasquez (A Múmia) se mostra um ótimo contraponto, protagonizando cenas emocionantes na virada do segundo para o terceiro ato.

Foto: Warner Bros Pictures

A Maldição da Chorona acaba sendo um derivado que podia entregar mais ao espectador. É um conjunto de bons ingredientes, mas que não foram tão bem misturados, por assim dizer. É mais do mesmo em um universo que parece que terá vida longa, mas que está com saldo devedor até agora, infelizmente.

Bom

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