CRÍTICA | Adoráveis Mulheres

Direção: Greta Gerwig
Roteiro: Greta Gerwig
Elenco: Saoirse Ronan, Emma Watson, Timothée Chalamet, Florence Pugh, Eliza Scanlen, Laura Dern, Meryl Streep, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2019



Ao longo dos séculos a sociedade passou por diversas transformações em busca da evolução. O papel da mulher é um ótimo exemplo, antes sem espaço, restrita ao ambiente doméstico e vista por algumas classes como uma ameaça, por se mostrar inteligente e capaz de alçar voos maiores. Disposta a retratar o amadurecimento da mulher em um filme de época, mas com uma roupagem contemporânea, a cineasta Greta Gerwig (Lady Bird: A Hora de Voar) nos brinda com Adoráveis Mulheres (Little Women), oitava adaptação para os cinemas da obra homônima de Louisa May Wallcott.

Estados Unidos, 1860. Época da Guerra Civil norte-americana, clima tenso, uma sociedade conservadora onde as mulheres não conseguiam grandes empregos. Para serem vistas como bem-sucedidas, teriam que optar entre dois caminhos: se casar com um homem rico ou ser dona de seu próprio negócio. A segunda opção é vista com mais seriedade por uma das protagonistas, Jo March (Saoirse Ronan), que tem como sonho ser escritora, mas que é obrigada a enfrentar um editor machista, que hesita em publicar suas histórias da forma como foram escritas.

Suas irmãs também possuem objetivos definidos. Amy (Florence Pugh) quer ser pintora, Meg (Emma Watson) quer ser atriz, enquanto Beth (Eliza Scanlen) almeja ser pianista. Todas sabem que precisam transpor grandes barreiras para alcançar seus sonhos e tiram do amor uma pela outra a principal fonte de energia para amadurecerem e buscarem o que querem.

Fotos: Sony Pictures

O roteiro e a direção de Gerwig são eficientes ao apresentar a família March, com quatro irmãs de personalidades distintas, mas muito esperançosas, apesar das dificuldades. A mãe, Mary (Laura Dern), chamada carinhosamente de “mãezinha” por suas herdeiras, é a âncora que consegue trazer paz às garotas enquanto esperam o pai, Bob (Bob Odenkirk), voltar da guerra. A tia March (Meryl Streep), por sua vez, é uma educadora rígida e presa aos costumes da época. É ela quem orienta e educa as garotas sob um forte sistema.

Adoráveis Mulheres converge as diferentes perspectivas de cada uma das protagonistas, tornando a experiência cinematográfica mais rica, com paralelos e disparidades bem contornadas. O nível intelectual e a força para enfrentar um mundo aparentemente intransponível impressionam, principalmente na personagem de Saoirse Ronan (Duas Rainhas), que é quem movimenta a história de fato e ganha brilho próprio na medida em que a linha do tempo se estabelece e a guerra caminha para seu desfecho.

Além do forte elenco, a transição entre o drama, a comédia e o romance também funciona muito bem. A entrada do personagem de Timothée Chalamet (Um Dia de Chuva em Nova York) na trama contribui para que testemunhemos uma história intensa, com leves toques de humor e com um triângulo amoroso que resiste por tempo suficiente para que o espectador sinta a angústia e a ansiedade daquela situação.

A montagem e a cinematografia da obra também merecem destaque, já que por meio das transições de imagem e do tom de cores azulado é possível compreender o estado de êxtase e a expectativa por grandes conquistas das personagens, assim como o temos de enfrentar desafios. O ritmo fluído só é um pouco prejudicado pelo excesso de flashbacks empregados, mas nada que torne a experiência ruim.

Foto: Sony Pictures

Com um desfecho inteligente e que ilustra a força feminina diante das adversidades e de seus ideais, Adoráveis Mulheres se mostra uma obra cativante, inspiradora e que convida o espectador a ampliar seus horizontes e propor mudanças de panorama sobre o assunto. Um tema que ainda precisa ser discutido e que aos poucos vai encontrando menos resistência e derrubando muros.

Ótimo

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