CRÍTICA | A Festa

Direção: Sally Potter
Roteiro: Sally Potter
Elenco: Tomothy Spall, Kristin Scott Thomas, Patricia Clarkson, Cherry Jones, Cillian Murphy, entre outros
Origem: Reino Unido
Ano: 2017


É engraçado como um dos mais clássicos memes da internet brasileira, “essa festa virou um enterro”, consegue captar e representar tão bem o espírito do novo filme da cineasta inglesa Sally Potter (Porque Choram os Homens), a comédia dramática A Festa (The Party), longa-metragem que participou da seleção do Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim de 2017. 

Na história conhecemos Janet (Kristin Scott Thomas), ministra da saúde da Inglaterra que obteve uma importante vitória em seu partido e resolve dar uma festa para comemorar o feito, junto com seu marido Bill (Timothy Spall). Para isso, os dois convidam os casais April (Patricia Clarkson) e Gottfried (Bruno Ganz), Martha (Cherry Jones) e Jenny (Emily Mortimer), além de Tom (Cillan Murphy) para a pequena reunião. Entretanto, inúmeras verdades veem à tona e tais amizades acabam sendo abaladas. 

Misturando humor negro com filosofia, Sally Potter traz em seu roteiro um retrato de uma elite cultural inglesa pós-Brexit, ainda abalada com a saída do Reino Unido da União Europeia. Ao mesmo tempo, a diretora traça um perfil do feminismo atual através da visão de uma parlamentar de meia-idade, que galgou uma posição maior que seu marido.

Foto: A2 Filmes e Mares Filmes

As figuras femininas, aliás, são peças fundamentais para o desenvolvimento da trama. Kristin Scott Thomas (Tomb Raider), Patricia Clarkson (House of Cards) e Cherry Jones (Sinais) retratam feministas bem sucedidas, que viveram a chamada "segunda onda" do movimento, entre as décadas de 1960 e 1980. No entanto, as mesmas têm pensamento conflitantes com os da geração da personagem de Emily Mortimer (A Garota Ideal), por exemplo.

O principal "charme" de A Festa está em sua fotografia, assinada pelo russo Aleksei Rodionov (Vá e Veja). Ao se utilizar do contraste de luz e sombra em planos americanos, temos uma magnetização de cada personagem em cena, fazendo com que o espectador se sinta preso ao desenvolvimento da narrativa.

Em uma atmosfera claustrofóbica e agoniante, que remete muito a obras como Deus da Carnificina (Carnage, 2011), do cineasta Roman Polanski (Baseado em Fatos Reais), A Festa agradará muito aqueles que buscam uma conversa aprofundada sobre a existência humana, por outro lado, àqueles que não gostam muito de obras em que o diálogo e a linha de roteiro é a principal atração, podem se sentir incomodados.

Foto: A2 Filmes e Mares Filmes


Ótimo

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