CRÍTICA | Missão: Impossível

Direção: Brian De Palma
Roteiro: David Koepp e Robert Towne
Elenco: Tom Cruise, Jon Voight, Jean Reno, Ving Rhames, Kristin Scott Thomas, Emmanuelle Béart, entre outros
Origem: EUA
Ano: 1996


Missão: Impossível. Uma série de filmes de espionagem que renova o espírito estabelecido por produções como a franquia 007, por exemplo. Porém, é errado supor que se tratam de obras onde só há cenas de ação desenfreadas ou pouco desenvolvimento de personagens, deixando o trabalho de roteiro e clima de suspense de lado.

Antes de Tom Cruise (Entrevista Com o Vampiro) estrelar a adaptação cinematográfica, Missão: Impossível fora uma série de TV norte-americana de grande sucesso, exibida pelo canal CBS a partir de 1966. A produção retratava as missões de uma agência conhecida como "Impossible Mission Force" (Força Tarefa Missão Impossível) e vários atores de renome passaram pelo elenco, como Martin Landau (Cine Majestic), Peter Graves (Apertem os Cintos... O Piloto Sumiu!) e Leonard Nimoy (Jornada nas Estrelas). No entanto, devido a alguns problemas, a série acabou cancelada após 7 temporadas.

No filme de 1996, Jim Phelps (Jon Voight) recebe uma fita contendo instruções da próxima missão de sua equipe. Eles vão para a Europa, onde deverão impedir um diplomata do Leste Europeu de roubar uma lista NOC, que é um documento que contém nomes e apelidos de diversos agentes secretos encobertos. A princípio a missão é bem sucedida, mas a suspeita de uma traição faz com que tudo saia do controle e quase todos os agentes envolvidos são mortos, restando apenas Ethan Hunt (Tom Cruise) como sobrevivente, um dos agentes mais bem treinados da IMF.

Foto: Paramount Pictures

A partir daí Hunt descobre que a missão não passou de uma isca para atrair um traidor intitulado como "Jó 3:14", que estava infiltrado em sua equipe. Como foi o único sobrevivente, o protagonista é tido como traidor pela agência, e inicia uma luta contra o tempo para limpar seu nome e obter a verdadeira lista NOC, que está guardada no quartel general da CIA.

O roteiro aqui decide focar na construção do suspense, o clássico jogo de gato e rato, onde não se deve confiar em ninguém e todos os personagens são suspeitos. Esse elemento é responsável por criar um clima perturbador para protagonista e espectador, algo que poucos filmes de espionagem conseguem fazer de forma eficiente em tela.



Evidentemente a direção de Brian De Palma (Os Intocáveis) é um fator importantíssimo para a criação do clima de ameaça citado. Aqui o cineasta utilizada de muitos planos longos, algo característico em sua filmografia, permitindo que o espectador acompanhe o desenvolvimento da ação de forma quase ininterrupta, aumentando consequentemente a tensão de cada cena. É certamente um dos trabalhos mais memoráveis de De Palma, realizador de grandes filmes.

Vale citar também como posição da câmera e os ângulos escolhidos pela fotografia valorizam a profundidade de campo. Mesmo em cenas claustrofóbicas como as passadas dentro do duto de ventilação, é possível ter uma noção espacial essencial para a construção da cena na mente do espectador. Um exemplo perfeito é a icônica cena de Hunt suspenso na sala de segurança máxima, onde temos noção de todo o ambiente de forma categórica.

Foto: Paramount Pictures

No que diz respeito as atuações, temos um elenco bastante eficiente. Cruise consegue transmitir seu carisma e empatia habitual, mesmo como o agente acusado injustamente. Ving Rhames (Pulp Fiction: Tempos de Violência) é a figura do parceiro falastrão, já Kristin Scott Thomas (Tomb Raider) se mostra misteriosa e dúbia, características essenciais para sua personagem. Jon Voight (Perdidos na Noite), por sua vez, rouba a cena quando presente, mesmo tendo poucos momentos em tela. Uma pena que há bons atores poucos explorados, como Jean Reno (O Profissional), que se mostra um coadjuvante de luxo.

Contando ainda com uma trilha sonora que marcou a história do cinema com sua música tema,  Missão: Impossível se mostra um filme de espionagem fora dos padrões convencionais. Foca num pseudo-realismo bem-vindo para a época, sem precisar contar com cenas de ação espetaculosas. Aqui o suspense é quem comanda, e de forma muito bem feita.

Bom

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