CRÍTICA | Beirute

Direção: Brad Anderson
Roteiro: Tony Gilroy
Elenco: Jon Hamm, Rosamund Pike, Mark Pellegrino, Dean Norris, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018


Brad Anderson (Chamada de Emergência) é conhecido por seus filmes de suspense. Em O Operário (The Machinist, 2004), por exemplo, temos uma ótima construção narrativa encaixada com a proposta da obra, que é fazer uma análise completa de um protagonista complexo e dos mistérios que cercam sua mente. Tal obra, ancorada no grande trabalho de Christian Bale (Trapaça), nos deixa vidrados pelo desenrolar da história, até que o twist final funciona como uma espécie de recompensa por todo o desenvolvimento proposto. Infelizmente, tudo é diferente em Beirute (Beirut), longa-metragem lançado recentemente pela Netflix.

A trama se passa no Líbano, em uma época turbulenta, resultado da Guerra Civil Libanesa, ainda que o objetivo aqui não seja o estudo do conflito em si, mas os eventos políticos que cercam toda essa atmosfera. Mason Skiles (Jon Hamm) é um diplomata norte-americano que perde sua mulher em um ataque realizado dentro de sua própria casa. A partir daí ele revolve ficar longe daquele país, voltando aos Estados Unidos por 10 anos e recomeçando sua vida em outra área de negócios, ao mesmo tempo em que enfrenta as dores do passado, se afogando em álcool. Eis que a embaixada norte-americana necessita de um serviço secreto urgente, que só poderia ser resolvido por ele, resultando em sua volta a Beirute.

Foto: Divulgação

A premissa do filme se baseia no estudo da Guerra, principalmente com a tomada de Beirute. Longas que abordam temas e conflitos diferentes dos convencionais, necessitam de uma ilustração dos fatos para um maior entendimento da proposta pelo público, afinal, nem todos sabem o que ocorre no Líbano. Entender todas as conexões é essencial para a proposta do cineasta, e isso não acontece aqui. Siglas importantes como a “OLP”, o envolvimento da Síria e os conflitos religiosos, são tratados apenas de passagem pelo roteiro, o que deixa o espectador sem entender bem o que se passa.

É interessante destacar também a forma que o povo Libanês é mostrado em cena. O cinema é um meio de entretenimento indiscutível, e que tem o poder de moldar pensamentos e entendimentos. Isso deve ser trabalhado e discutido por quem assiste, colocar culturas diferentes e propagações de ideologias de uma forma contrária daquela que conhecemos, sem entender realmente o fato histórico, pode ser muito perigoso, e foi como eu me senti assistindo a Beirute.

A história em si apresenta muitos clichês, como certos bombardeios premeditados e uma cena ridícula em que a inteligência norte-americana é passada para trás por um cinto (vocês irão entender quando assistirem). Não fica claro nem se estamos acompanhando uma trama baseada em fatos, ou se trata de uma ficção criada pelos roteiristas. Espero que não seja real.

A obra é protagonizada por Jon Hamm (Mad Men) e Rosamund Pike (7 Dias em Entebbe), o que por si só gera uma expectativa inevitável, tamanho o talento dos atores. Hamm é quem se destaca, apresentando um personagem que se mostra confiante e também ótimo de conversa, apesar dos demônios internos que o atormentam.

Foto: Divulgação

Sobre Pike, especificamente, penso que ela precisa de uma reviravolta em sua carreira. Após sua grande performance em Garota Exemplar (Gone Girl, 2014), que lhe rendeu uma indicação ao Oscar, a atriz não emplacou um bom filme sequer. Em Beirute ela vive uma detetive que trabalha para embaixada dos Estados Unidos, uma personagem totalmente submissa as ações do protagonista e alguns coadjuvantes. Não se vê uma contestação, uma ideia colocada em prática. Trata-se de trabalho mal desenvolvido, aquém do talento demonstrado outrora pela interprete.

Quem assiste Beirute encontra uma obra vazia, que podia fazer muito mais se trouxesse informações relevantes ao espectador. É o que difere um bom filme de um longa esquecível e que não trará fará grande diferença a quem assiste.


Regular

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