CRÍTICA | Simonal


Direção: Leonardo Domingues
Roteiro: Victor Atherino
Elenco: Fabrício Boliveira, Isis Valverde, Caco Ciocler, Leandro Hassum, entre outros
Origem: Brasil
Ano: 2018


Rei do swing, dono de uma voz contagiante e com grande presença de palco, exalando brilho e simpatia. Todos esses predicados são pouco para descrever Wilson Simonal, tido como um dos melhores cantores que o Brasil já teve e que foi injustiçado durante o período da Ditadura Militar.

A cinebiografia Simonal, dirigida por Leonardo Domingues (O Jumento Santo e a Cidade que Acabou Antes de Começar), traz momentos grandiosos da carreira do artista, assim como passagens complexas, como as perseguições políticas que sofreu, sua condenação por sequestro e extorsão, além do isolamento em decorrência de acusações de que teria delatado amigos como Gilberto Gil e Caetano Veloso ao DOPS (Departamento de Ordem Política e Social).

De início nos deparamos com um Simonal (Fabrício Boliveira) se apresentando em conjunto, o Dry Boys, em bares e festas, até serem descobertos por Carlos Imperial (Leandro Hassum), responsável por lançar grandes talentos, dentre eles o já citado Roberto Carlos. Contratado inicialmente como secretário do empresário, Simonal faz novos contatos, até despertar a atenção de Miéle (João Velho), que teve papel determinante em sua trajetória.

Foto: Downtown Filmes

Após o sucesso, alcançou um nível que jamais imaginou, tendo inclusive um programa de televisão na TV Record e a assinatura de um contrato com a Shell, sendo o principal nome nas campanhas da multinacional de combustíveis. Mesmo no auge, Simonal passou a sofrer com sua inaptidão para administrar suas finanças, além das denúncias de seu envolvimento com a ditadura, o que acabou o levando à decadência e completo isolamento.

Reunir toda uma carreira em uma produção de 105 minutos é uma tarefa hercúlea. E, nesse ponto, a montagem tem grande mérito aqui, garantindo o ritmo da narrativa. A direção de arte e figurinos, por sua vez, fazem perfeitas reproduções do Brasil das décadas de 60 e 70, valorizando as apresentações do cantor, que levava o público ao delírio.

Outro ponto positivo é que o lado controverso de Simona - como era conhecido por seus amigos - não é deixado de lado pelo roteiro, que sempre o retrata com cuidado, mesmo deixando todas as suas faces expostas. Dono de personalidade singular, o protagonista irritava a imprensa e incomodava militares, fatores determinantes para seu triste destino. A obra não busca fazer juízo de valor, já que não condena ou absolve o artista, deixando a cargo do espectador tirar suas conclusões.

Outros temas importantes são tratados no longa, como o contexto político social do Brasil à época, a intolerância com diferenças ideológicas, assim como a afirmação do negro no mercado fonográfico, algo impensável até então.

Foto: Downtown Filmes

Fabrício Boliveira (Além do Homem) carrega o filme. O desembaraço no palco e a carga dramática demonstrada nos momentos mais complexos são dignas de elogios, tendo o ator cumprido o propósito da obra, representando Simonal dentro e fora dos palcos, com suas virtudes e defeitos. Isis Valverde (Faroeste Cabloco), vive teresa, esposa do cantor, personagem que surge timidamente na trama e aos poucos ganha espaço como uma figura sólida dentro da trajetória do artista. É graças às intervenções da mesma que Simonal consegue atravessar seus piores momentos.

Simonal certamente apresentará para muitos a trajetória de um brasileiro icônico, que deixou um grande legado para a música nacional. Um artista que deixa ao público importantes lições, com seus erros e acertos.

Ótimo

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