CRÍTICA | Predadores Assassinos


Direção: Alexandre Aja
Roteiro: Michael Rasmussen e Shawn Rasmussen
Elenco: Kaya Scodelario, Barry Pepper, Morfydd Clark, entre outros
Origem: EUA / Sérvia / Canadá
Ano: 2019


Conduzir uma produção que deseja transmitir angústia, medo e o sentimento de ameaça dos humanos quando estão diante de perigosas criaturas não é tarefa fácil. Já vimos obras que trouxeram tubarões, piranhas e ursos como antagonistas. Dessa vez, o cineasta francês Alexandre Aja (Amaldiçoado), que já enveredou por esse tipo de história em Piranha 3D (2010), traz de volta o jacaré como animal a se temer, em Predadores Assassinos (Crawl).

Haley (Kaya Scodelario) é uma jovem e talentosa nadadora, mas que vem enfrentando problemas de relacionamento com seu pai e treinador, Dave (Barry Pepper). Quando um furacão de categoria 5 atinge o estado da Flórida, a garota resolve violar o código de evacuação para procurar o pai desaparecido. Durante as buscas, ela é surpreendida com a inundação do porão da casa de Dave e por lá o encontra machucado e preso em meio a destroços. Tudo fica mais intenso quando um grupo de jacarés invade o local e os cerca, deixando a missão de sobrevivência cada vez mais difícil.

O roteiro de Michael Rasmussen (Longa Distância) e Shawn Rasmussen (Aterrorizada) opta por uma premissa simples, recorrendo a flashbacks para apresentar a protagonista e os problemas que a afligem. Algumas situações surgem com a função de aumentar a tensão gradativamente, como o grupo de ladrões que tenta levar um caixa eletrônico de uma loja de conveniências, ou dois policiais que conduzem um barco procurando vítimas. Os eventos acontecem em ritmo frenético, sem dar tempo ao espectador para relaxar.

Foto: Paramount Pictures

A conturbada relação entre pai e filha, sugerida na premissa, é bem desenvolvida. Os ensinamentos transmitidos por Dave a Haley durante os treinos de natação acabam por se encaixar na situação extrema na qual os dois se envolvem. O "acerto de contas" que precisam fazer soa apenas como pano de fundo, mas não menos importante do que o perigo que experimentam durante a forte tempestade.

As criaturas são bem aproveitadas, justamente por aparecerem pontualmente. A fotografia sabe aproveitar o uso das sombras e as tomadas feitas embaixo d'água para criar a tensão esperada. Além disso, as soluções encontradas pela dupla para fugir dos jacarés, e a expectativa para saber se conseguirão sair vivos da casa, mantém o público entretido a todo momento.

O filme se sustenta em Kaya Scodelario (Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal), cuja personagem toma a responsabilidade para si de enfrentar todos os obstáculos e provar para si mesma que é uma sobrevivente, ou melhor, uma predadora, como sugere seu pai nos treinamentos. A atriz conquista o espectador com seu carisma e interpretação segura, além de talento para as cenas de ação. Barry Pepper (O Resgate do Soldado Ryan), por sua vez, ainda que mais singelo, funciona como motivação para a protagonista, incentivando-a a lutar contra as criaturas e a achar uma saída para o mundo exterior.

Foto: Paramount Pictures

Com uma mistura de horror, ação e suspense, Predadores Assassinos soa como ótimo entretenimento, especialmente para quem curte produções que colocam o homem em embate contra força da natureza, sem esquecer os elementos que trazem dramaticidade aos personagens.

Ótimo

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