CRÍTICA | Os Infiltrados

Direção: Martin Scorsese
Roteiro: William Monahan
Elenco: Leonardo DiCaprio, Matt Damon. Jack Nicholson, Mark Wahlberg, Martin Sheen, Vera Farmiga, Alec Baldwin, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2006


A introdução de Os Infiltrados (The Departed) logo indica se tratar de uma obra típica de Martin Scorsese (O Aviador), já que o diretor é experiente em produções sobre o crime e a máfia, usando o humor negro e o sarcasmo para trazer o espectador para dentro do filme. Mas o que se vê depois disso é uma obra bem menos característica de sua filmografia. Ausentam-se a câmera lenta dos tiroteios, os planos-sequências que registram as ações dos mafiosos os travellings e zoom in acelerados, presentes em praticamente todos os seus primeiros filmes. E ainda que estejamos diante de um produto um pouco mais comercial, suas características artísticas não se perdem.

Remake do longa chinês Conflitos Internos (2002), Os Infiltrados foi adaptado por William Monaham (Cruzada) e acompanha a história de dois jovens policiais, Billy Costigan (Leonardo DiCaprio) e Colin Sollivan (Matt Damon), em seus primeiros anos de profissão. O primeiro é designado para se infiltrar na organização criminosa chefiada pelo psicótico Frank Costello (Jack Nicholson). O segundo logo se torna um dos detetives mais respeitados do departamento, encarregado de investigar e prender o bandido. O que ninguém sabe é que Sullivan também é um “infiltrado”. Ele se torna policial justamente para servir como fonte de informações para Costello, que o protegeu desde novo. Tentando descobrir as identidades uns dos outros, Costigan e Sullivan dão início a um tenso jogo de gato e rato cujo resultado pode ser a morte daquele que for exposto pelo inimigo.

Foto: Warner Bros Pictures

Scorsese apresenta uma trama que muda de foco a todo momento - ora em Sullivan, ora em Costigan - sem confundir ou entediar o espectador. O roteiro, nesse ponto, é hábil em nos deixar cativados em sua proposta, nunca antecipando os próximos movimentos dos personagens centrais.

Uma das grandes artimanhas do filme é justamente seus méritos narrativos inquestionáveis. Se a obra é um exercício de estilo mais tímido de Scorsese, também consegue sustentar a tensão do começo ao fim, já que o texto amarra muito bem todas as pontas e jamais deixa o ritmo da história diminuir. São sempre novos acontecimentos e reviravoltas na caçada mútua entre os dois infiltrados.

Como é de se esperar do trabalho do diretor, a trilha sonora roqueira se destaca, com canções dos Rolling Stones, John Lennon, Beach Boys e Dropkick Murphys, que assina a canção de abertura, “I’m Shipping up to Boston”. Boston, inclusive, não é apenas um cenário para a narrativa, mas praticamente um personagem ali existente. Sem a máfia da cidade e sua comunidade de ascendência irlandesa, Os Infiltrados não seria o filme que é.

O longa termina com uma sucessão de eventos surpreendentes e impactantes. A ausência da antecipação de muitos acontecimentos é muito eficiente, já que conduz o desfecho como uma tragédia sem heróis, apenas violenta e cruel.

Foto: Warner Bros Pictures

Os Infiltrados é uma produção vigorosa, que demonstra a habilidade de seu diretor em conduzir tramas violentas e complexas como se fosse fácil. Pode não ser um dos melhores exemplares da carreira de Martin Scorsese, mas além de todas as suas qualidades, é um ótimo longa, que pode servir como porta de entrada para aqueles que querem conhecer a carreira do cineasta. Não à toa foi o filme que lhe rendeu seu primeiro Oscar na função.

Bom

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