CRÍTICA | O Predador

Direção: Shane Black
Roteiro: Shane Black e Fred Dekker
Elenco: Boyd Holbrook, Olivia Munn, Sterling K. Brown, Jacob Tremblay, Trevante Rhodes, Keegan-Michael Kay, entre outros
Origem: EUA / Canadá
Ano: 2018


É comum em Hollywood o resgate de filmes de sucesso do passado com o intuito de transformá-los em franquias rentáveis atualmente. Ancorados na qualidade costumeira de suas obras de origem, a entrega das sequências - em sua maioria, de gosto duvidoso - não costuma agradar a crítica. Aconteceu com O Exterminador do Futuro (Terminator, 1984), que caminha para sua quinta sequência, mas só a parte 2 é realmente interesse. E acontece também com O Predador (Predator, 1987), que acaba de lançar a sua terceira sequência (sim, estou ignorando Alien vs. Predador 1 e 2). Felizmente, o novo longa da franquia está longe de ser ruim, ainda que nunca consiga atingir o impacto do filme original.

Nesse novo O Predador (The Predator) somos apresentados a um cenário diferenciado, quando um dos alienígenas invade a Terra para fugir de outra nave que o persegue. Capturado por um grupo de pesquisa, ele se rebela para sobreviver, enquanto o primeiro soldado que teve contato com ele, Quinn McKenna (Boyd Holbrook), fica com parte da armadura da criatura.

Dirigido e roteirizado por Shane Black (Homem de Ferro 3), o primeiro ato do longa corre para apresentar uma grande quantidade de personagens (nem todos realmente importantes para a narrativa) sem se preocupar muito em desenvolver todos eles. O roteiro é o maior trunfo e o maior vilão da obra, pois, enquanto apresenta uma premissa interessante, acaba falhando em construir os detalhes que tornariam o filme verdadeiramente relevante.

Foto: Fox Film do Brasil

Um exemplo perfeito é a cientista vivida por Olivia Munn (X-Men: Apocalipse). Essa talvez seja a primeira vez que a atriz ganha espaço suficiente em tela para demonstrar algum talento, no entanto, sua personagem é tão mal aproveitada, entrando e saindo de cena para concertar furos de roteiro, que acaba se tornando dispensável. Acaba sendo decepcionante, pois a personalidade da personagem soa interessante, inteligente, destemida e boca suja, mas sem nunca mostrar realmente a que veio.

Boyd Holbrook (Logan), por sua vez, assume o protagonismo do longa com competência, ainda que não possua metade do carisma de Arnold Schwarzenegger. Seu personagem acaba beneficiando principalmente pelos coadjuvantes que o cercam, já que seu filho é vivido pelo talentoso Jacob Tremblay (O Quarto de Jack) e os intitulados "Lunáticos" são a melhor coisa do filme. O grupo da vez é formado por soldados que estão afastados da corporação por conta de distúrbios mentais, rendendo momentos de alívio cômico que realmente funcionam. O carisma desse pessoal causa empatia, fazendo com que o espectador se importe com seus destinos, algo sempre muito importante em uma obra como essa.

Outro acerto de Shane Black são as referências sutis ao longa original. Em determinado momento, Olivia Munn se dirige ao predador com a frase "You're one beautiful motherfucker!", uma clara alusão a frase clássica de Schwarzenegger no primeiro filme: "You're one ugly motherfucker!". Aliás, vale citar que o filme está repleto de palavrões, vísceras e sangue, fazendo com que obra soe mais próxima dos anos 80/90, mas garantindo uma censura 18 anos no Brasil.

Ainda sobre homenagens, a trilha sonora de Henry Jackman (Kingsman: O Círculo Dourado) valoriza o tema original criado por Alan Silvestre (Vingadores: Guerra Infinita), algo que é sempre nostálgico e bem-vindo.

Foto: Fox Film do Brasil

No que diz respeito às cenas de ação, O Predador se mostra competente, beneficiando-se da tecnologia atual para criar momentos realmente interessantes. É uma pena que acabe escorregando em alguns detalhes, como, por exemplo, o visual dos "cães do espaço", que não botam medo em ninguém com aqueles dreadlocks, que soam bem ridículos. Além disso, é decepcionante perceber o quão mal aproveitado é o "super predador", que causa impacto na primeira aparição, mas que acaba não dizendo a que veio por fim.

Oferecendo ao espectador uma reviravolta final gratuita e até bem absurda, com o claro intuito de prolongar a franquia, O Predador se mostra um filme irregular, porém inegavelmente divertido. Está longe da qualidade alcançada pelo longa original, no entanto se mantém fiel à sua proposta em todo momento, o que é louvável. Arrisco dizer que um diretor mais competente e atento aos detalhes entregaria um produto final mais coeso. Sem novidades aqui. Black é melhor roteirista do que cineasta.

Bom

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