CRÍTICA | Friedkin Uncut

Direção: Francesco Zippel
Roteiro: Francesco Zippel
Elenco: William Friedkin, Wes Anderson, Damien Chazelle, Dario Argento, Francis Ford Coppola, entre outros
Origem: Itália
Ano: 2018

"Eu não estou à procura da perfeição nos filmes que faço, estou à procura de espontaneidade." 

Essa originalidade que William Friedkin (Killer Joe: Matador de Aluguel) procura captar e transmitir está presente não só em seus trabalhos, mas também no modo de se expressar, algo notório nessa aula de cinema em formato de documentário. Friedkin Uncut, do estreante Francesco Zippel, percorre a carreira do renomado cineasta de O Exorcista (The Exorcist, 1973) e Operação França (The French Connection, 1971), analisando-a através de conversas sinceras com o próprio Friedkin, além de pessoas que trabalharam com ele ao longo dos anos, ou mesmo aqueles que apenas o admiram.

Zippel aproveita o carisma e o talento do diretor para mostrar a relevância de suas obras, criando assim um documentário dinâmico, estimulante e capaz de escapar a algumas armadilhas inerentes aos convencionalismos que fazem parte do gênero.

Foto: Divulgação

Marcado por uma reunião de entrevistas, trechos de filmes e imagens de arquivo, Friedkin Uncut leva-nos a uma viagem guiada aos longas do cineasta, trazendo a experiência compartilhada de nomes como Ellen Burstyn (Réquiem Para um Sonho), Francis Ford Coppola (O Poderoso Chefão), Dario Argento (Giallo: Reféns do Medo), Matthew McConaughey (Interestelar), Quentin Tarantino (Django Livre), Juno Temple (Roda Gigante), Michael Shannon (A Forma da Água), Damien Chazelle (O Primeiro Homem), Wes Anderson (Ilha dos Cachorros), Edgar Wright (Em Ritmo de Fuga), entre outros.

Há momentos grandiosos em que presenciamos uma grande assertividade no que diz respeito ao diálogo que escutamos e a matéria-prima que tem à disposição, seja esta as falas dos entrevistados, os trechos das fitas ou as imagens de arquivo. No caso de O Exorcista, alguns dos nomes citados abordam elementos sobre o que torna a obra tão especial, bem como a sua relação pessoal com a mesma, ou ainda curiosidades de bastidores ou do contexto da época. Evidentemente algumas obras são deixadas de lado, já que Zippel busca focar a atenção nos filmes mais marcantes do diretor.

Friedkin Uncut é um documentário que aproveita e muito o carisma e o talento da figura retratada para se sobressair e deixar a sua própria marca. É certo que nunca ficamos diante de um retrato completo deste elemento ou capaz de desafiá-lo. No entanto, também é praticamente impossível não sair do filme com o desejo de rever algumas das obras mencionadas. Acima de tudo, estamos diante de um filme-aperitivo, que serve como porta de entrada para William Friedkin, caso você ainda não o conheça, mas também como meio que permite reforçar a admiração pelo cineasta e suas obras, para aqueles que já o conhecem bem.

Foto: Divulgação

As conversas com Friedkin são de uma franqueza notável, e a vontade do realizador nos faz sentir convidados a entrar em sua casa. Friedkin Uncut é um misto de grandes momentos, uma edição eficiente e um cineasta entusiasmante. É um olhar introspectivo sobre a vida e carreira de um homem que é icônico para o cinema e para a televisão, possibilitando que conheçamos mais de de sua trajetória de vida, bem como sua filmografia de diretor inovador e não conformista.

Bom

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