CRÍTICA | O Retorno de Mary Poppins

Direção: Rob Marshall
Roteiro: David Magee
Elenco: Emily Blunt, Lin-Manuel Miranda, Ben Whishaw, Emily Mortimer, Meryl Streep, Colin Firth, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018


Não é de hoje que a Disney vem lucrando em cima de seus maiores clássicos, procurando reconquistar um público através de sentimentos nostálgicos. No entanto, a ideia de um novo filme de Mary Poppins, de início, soava um tanto fútil, já que o original se mantém forte na memória de qualquer que o tenha assistido. Em meio à onda de remakes, reboots, reformulações e sequências que o estúdio tem lançado, este é um longa-metragem ambientado 26 anos após o original, acompanhando os filhos do Sr. Banks já adultos. Por outro lado, o filme de Rob Marshall (Chicago), segue uma estrutura tão semelhante à do clássico que poderia muito bem ser considerado um remake. Dito isso, O Retorno de Mary Poppins (Mary Poppins Returns) agrada justamente por apostar no que é seguro e precioso aos fãs, sem audácias além de sua própria existência.

Durante a Grande Depressão na Inglaterra, reencontramos os irmãos Banks na mesma casa que moravam quando crianças. Jane (Emily Mortimer) é uma ativista-sindicalista, enquanto Michael (Ben Whishaw) se tornou pai viúvo de três crianças fofíssimas e funcionário do mesmo banco em que o pai trabalhava. Devido a alguns problemas, Mary Poppins (Emily Blunt) “pousa” em Londres com o objetivo de cuidar das crianças e ajudá-los com os tais problemas. 

Pelo caminho a trama nos apresenta a novos personagens, são entregues números musicais bem divertidos, inúmeros easter eggs e referências ao clássico de 1964, bem como uma trilha sonora que faz jus à de Richard e Robert Sherman. Inclusive, muitas das novas canções escritas por Marc Shaiman são simplesmente graciosas, nenhuma chegando ao nível da clássica "Supercalifragilisticexpialidoucious", é bem verdade, mas ainda assim funcionando como um canal para as emoções dos personagens e do espectador.

Foto: Walt Disney Pictures

No elenco, temos todos os mesmos tipos vistos no passado: o pai que tenta dar conta de toda a situação, as crianças que descobrem um mundo de magia, o bancário corrompido pela ganância e até mesmo o homem das ruas com sotaque cockney acentuado. Emily Blunt (Um Lugar Silencioso), com a difícil tarefa de suceder Julie Andrews (A Noviça Rebelde), teve aprovação da própria e faz uma Mary Poppins sólida, mais irônica, madura, com aquele mesmo charme e humor de antes, sem querer reinventar a personagem, mantendo os trejeitos extremamente polidos da babá.

É importante citar Julie Walters (Harry Potter e a Ordem da Fênix) como Ellen, Meryl Streep (Mamma Mia!) como Prima Topsy, Angela Lansbury (A Bela e a Fera) como Ballon Lady e Dick Van Dyke (O Fantástico Robin Crusoé), em uma participação mais do que especial, dando vida a Mr. Dawes Jr. e realizando uma cena para aquecer os corações de todos. Colin Firth (Kingsman: O Círculo Dourado), por sua vez, no papel de Wilkins é o antagonista ideal para um filme que se direciona a todas as idades. E não poderia esquecer do talentosíssimo e charmoso Lin-Manuel Miranda (Moana: Um Mar de Aventuras) que nos apresenta um carismático Jack.

Sendo assim, O Retorno de Mary Poppins é uma sequência que, graças a boas escolhas, faz justiça a seu antecessor. Marshall extrai o melhor de seu elenco e entende muito bem o tom do material original, trazendo um raro filme de estúdio que se assume exatamente como é, sem a necessidade de comentar ou autodepreciar sua infantilidade. Trata-se de um tributo a produção de 1964, ao mesmo tempo que se estabelece, com seus elementos particulares, como uma continuação.

Foto: Walt Disney Pictures

Em tempos de dificuldade, de um mundo onde a sociedade parece ter esquecido os sentimentos de esperança e empatia, O Retorno de Mary Poppins vem no momento certo para restaurar tais emoções e crenças nas almas dos mais velhos e divertir os mais jovens, que sabem como é viver com isso diariamente.

Ótimo

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