CRÍTICA | Aladdin

Direção: Guy Ritchie
Roteiro: Guy Ritchie e John August
Elenco: Mena Massoud, Naomi Scott, Will Smith, Marwan Kenzari, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2019

"As noites da Arábia e os dias também."

A Disney parece decidida a adaptar todos os seus clássicos da animação para o cinema live action. Foi assim com Cinderela (2015), Mogli: O Menino Lobo (2016), Dumbo (2019), entre outros que já passaram e que estão por vir. A bola da vez é Aladdin, filme que gerou dúvidas em boa parte dos fãs ao lançar seus trailer promocionais, mas que entrega uma releitura divertida, nostálgica e visualmente bem resolvida.

O roteiro trata de atualizar todos os discursos da obra original, algo essencial e bem-vindo para uma produção que chega 27 anos após tal lançamento. Sua abertura já é bem diferente da animação, se situando em um navio e não no deserto, trazendo ao espectador a imagem de Will Smith (Bright) na condição de narrador da história. Aqui também é sentida a mudança na letra da canção, soando menos ofensiva ao povo árabe, tratado anteriormente como "bárbaro" e que agora tem sua cultura exaltada.

O design de produção de Gemma Jackson (Game of Thrones) salta aos olhos e é um convite para o espectador se deslumbrar com a fictícia Agrabah e seus costumes genuínos, que recebem influência de várias culturas asiáticas. Tudo é pensado nos mínimos detalhes, da diferença social de uma sociedade claramente dividida entre rica e pobre, até os animais criados digitalmente, passando pelo CGI dos feitiços e magias.

Foto: Walt Disney Pictures

Outra atualização que cai muito bem ao filme fica por conta da Princesa Jasmine (Naomi Scott). A personagem ganha mais importância ao ser inserida dentro de um contexto político. Mais do que ser forte, geniosa e apenas querer se casar com quem ela preferir, agora Jasmine deixa de ser uma coadjuvante e anseia não mais ficar calada e suceder o pai em seu cargo para fazer a diferença na vida do povo. Sua cena musical na terceira parte do filme é de tirar o fôlego e traz um empoderamento para a personagem que é digna de aplausos.

Essas inserções e adaptações retratam a decisão acertada do roteiro e da direção de Guy Ritchie (Sherlock Holmes) de não se fazer uma cópia exata do Aladdin de 1992. Isso permite não apenas que a obra se mantenha atual, mas traz mais emoção e interesse ao espectador, que pode se surpreender, mesmo conhecendo os principais elementos da história.

O elenco é outro ponto alto da produção. Mena Massoud (Jack Ryan), se mostrou a escolha perfeita para o protagonista, uma ótima retratação do jovem periférico e miserável que pratica pequenos furtos para poder sobreviver em um cenário de pouca perspectiva. Ao mesmo tempo, o ator entrega uma malícia que agrega a personalidade de Aladdin, trazendo charme ao personagem e imprimindo um magnetismo em tela essencial para o sucesso da narrativa. Naomi Scott (Power Rangers) brilha em praticamente toda cena, representando uma mulher cheia de resoluções e ambições, buscando entender os anseios e necessidades das camadas mais populares, nem que para isso precise romper com tradições milenares. Marwan Kenzari (Assassinato no Expresso Oriente), por sua vez, apresenta um Jafar de passado interessante e bastante fiel ao original.

Foto: Walt Disney Studios

O grande ponto de interrogação na cabeça da maioria das pessoas era a versão do Gênio da Lâmpada de Will Smith. A boa notícia é que seu gigantesco carisma convence o espectador de todas as formas. O ator não cai no erro de copiar o trabalho incomparável de Robin Williams (Robin Williams: Entre na Minha Mente). Smith imprime sua identidade ao personagem, inclusive com algumas inserções de rap aos números musicais, trazendo um toque moderno que só fez bem para a obra como um todo. Mesmo os efeitos especiais funcionam bem, responsáveis por espetáculos visuais incríveis.

Finalmente, a direção de Guy Ritchie traz a sua assinatura cinematográfica costumeira, prezando pela agilidade na condução da narrativa. Em suma, um belo trabalho de adaptação, desse que possivelmente é o melhor remake que a Disney produziu até aqui. Aladdin emociona, encanta, homenageia suas origens e diverte por mérito próprio, graças a um elenco afiado e carismático, sem esquecer das canções clássicas que aquecem o coração de qualquer um.

Excelente

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