CRÍTICA | Brinquedo Assassino


Direção: Lars Klevberg
Roteiro: Tyler Burton Smith
Elenco: Aubrey Plaza, Mark Hamill, Brian Tyree Henry, Gabriel Bateman, entre outros
Origem: Canadá / EUA
Ano: 2019


Refilmagens ainda dividem opiniões entre os fãs de cinema. Alguns as enxergam como uma boa oportunidade de contextualização de uma obra para os dias atuais, outros acham que mudanças na narrativa desvirtuam a produção original e prejudicam sua essência. Brinquedo Assassino (Child's Play) é um bom exemplo de franquia que iniciou de forma despretensiosa, em 1988, arrecadando bons números de bilheteria, ganhando diversas sequências até se tornar um fenômeno cult entre os fãs de terror trash. Tantas histórias depois, a proposta de oferecer um filme que converse com a geração atual não parece das piores.

A trama nos apresenta a Karen Barclay (Aubrey Plaza), funcionária de uma loja de departamentos que compra para seu filho, Andy (Gabriel Bateman), um boneco da marca “Buddi” (Mark Hamill), sensação entre as crianças. O brinquedo de alta tecnologia é dotado de uma inteligência artificial que é capaz de controlar todos os aparelhos eletrônicos da residência, mas aos poucos revela ter uma personalidade maligna, disposto a tirar de seu caminho todos que possam atrapalhar sua amizade com o jovem Andy.

Quem se recorda do longa original percebe que a premissa, de certa forma, foi mantida para essa refilmagem, mas trazendo um toque de originalidade e de independência em relação à história original. Afinal, o "Chucky" de antigamente era um serial killer mortalmente ferido após uma troca de tiros com a polícia, que conseguiu - por meio de um ritual de magia negra - transferir sua alma para o boneco de cabelos. Aqui não há elementos sobrenaturais, o boneco apenas foi pré-programado para realizar certos movimentos, além de ser dotado de uma tecnologia capaz de captar expressões faciais humanas. O vilão acaba sendo um defeito de fabricação, que faz com que Chucky saia do controle.

Foto: Imagem Filmes

De ritmo cadenciado, a produção caminha entre gêneros. De início identificamos muitos elementos de comédia, com o boneco arrancando risos do espectador com tiradas geniais e movimentos toscos. Aos poucos recebemos doses de humor negro, até chegar ao terror propriamente dito, com muito gore e sangue jorrando para todo lado.

As sequências de ação funcionam, especialmente quando o diretor Lars Klevberg (Morte Instantânea) coloca o espectador sob o ponto de vista do boneco, a espreita, pronto para dar o bote. Não apresentar Chucky como uma figura maligna desde o início, para revelar sua verdadeira face adiante tornam o suspense interessante. O drama acaba se sobressaindo ao terror, abrindo espaço até para discussões sobre o uso de inteligência artificial em atividades do cotidiano.

A estética do boneco, apesar de não ser primorosa, soa realista o suficiente. Quem vê acredita que se trata de um brinquedo com vida, dotado de personalidade, emoções e motivações fortes. E o fato do personagem ser dublado por Mark Hamill (Star Wars: Os Últimos Jedi) traz um charme especial a obra. Aubrey Plaza (Tirando o Atraso), atriz familiarizada com as comédias, mostra um potencial dramático promissor, destacando-se nas cenas com mais intensidade. Bryan Tyree Henry (As Viúvas), por sua vez, vive um detetive frio e preciso em suas investigações. Já o jovem Gabriel Bateman (Quando as Luzes se Apagam) não compromete o resultado final.

Foto: Imagem Filmes

Dramático, envolvente e atual. Brinquedo Assassino pega emprestados elementos de sua versão original e, com novos ingredientes, oferece ao público bom entretenimento. Trata-se de mais um elemento da cultura pop que se mantém vivo graças a onda dos remakes. Que, dessa vez, se mostrou muito bem-vindo.

Ótimo

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