CRÍTICA | Mogli: Entre Dois Mundos


Direção: Andy Serkis
Roteiro: Callie Kloves
Elenco: Rohan Chand, Andy Serkis, Christian Bale, Cate Blanchett, Benedict Cumberbatch, Naomie Harris, entre outros
Origem: Reino Unido / EUA
Ano: 2018

"Eu uso o necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais."

Se você leu a frase acima cantando, possivelmente sua infância ou adolescência também foi influenciada por "O Livro da Selva", obra popularizada no Brasil pela animação da Disney, Mogli, o Menino Lobo (1967). Recontar essa história não é tarefa fácil, ainda mais se levarmos em conta que ela foi recentemente readaptada para live-action (2016). Se isso não bastasse, Andy Serkis  (Uma Razão Para Viver) tratou de colocar mais pedras no caminho.

Mogli: Entre Dois Mundos (Mowgli) entrega um amontoado de peculiaridades. Uma das mudanças radicais propostas pelo roteiro é justamente o coração do conto, já que as canções e o caráter mais animado das adaptações da Disney foram substituídos por um tom sombrio, se levando muito a sério. Eliminar elementos tão fundamentais para o sucesso de uma história é um risco imenso, mas devo dizer que o roteiro de Callie Kloves é bem sucedido nessa empreitada.

A opção por uma estética realista causa certa estranheza a principio, pois ela é colocada em contraste com o design dos animais. Buscando uma proximidade visual entre ator e personagem, Serkis "humaniza" as criaturas, dando a impressão de que os personagens não conversam com os ambientes. Ver Baloo cheio de cicatrizes e com o rosto do diretor/ator é assustador de início, mas aos poucos o espectador vai se habituando, fazendo com que o visual da obra funcione afinal.

Foto: Netflix

É evidente que o elenco estelar escalado ajuda nessa empreitada. Benedict Cumberbatch (Doutor Estranho) é o vilão Shere Khan, Cate Blanchett (Thor: Ragnarok) é Kaa, e Naomie Harris (007: Operação Skyfall) é Nisha. Mas não há o Livro da Selva sem a relação de Mogli e Bagheera, e esse último é vivido por Christian Bale (Vice). O ator rouba todas as cenas em que participa, elevando também a atuação do protagonista vivido pelo ator mirim Rohan Chand (Jumanji: Bem-Vindo à Selva). O garoto se esforça e vai bem nas cenas de ação, mas deixa a desejar quando o roteiro exige maior carga emocional.

A obra, no entanto, carece de um ritmo balanceado, que mantenha o espectador interessado a todo momento. A edição estabelece bem a dinâmica nos primeiro minutos, principalmente na passagem de Mogli pela vila dos homens e em seu encerramento, mas peca em seu segundo ato, quando tenta forçar a relação do garoto com uma espécie de figura materna.

Entre erros e acertos, o saldo final de Mogli: Entre Dois Mundos é positivo. Não é uma adaptação extraordinária, mas está longe de ser banal. No entanto, confesso que embarcar na história com a expectativa zerada contribuiu para que eu tenha saído do longa com um sorriso no rosto.

Foto: Netflix


Bom



Eduardo Fernandes é jornalista, canta tudo que é música dos filmes da Disney e sabe que a melhor trilha sonora é a do Tarzan.

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