CRÍTICA | Annabelle 3: De Volta Para Casa


Direção: Gary Dauberman
Roteiro: Gary Dauberman
Elenco: Vera Farmiga, Patrick Wilson, McKenna Grace, Madison Iseman, Katie Sarife, Michael Cimino, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2019


Annabelle 3: De Volta Para Casa (Annabelle Comes Home), sob a direção de Gary Dauberman (A Freira), chega com o intuito de manter o universo de Invocação do Mal vivo na mente dos fãs, mas com a peculiaridade de apostar menos na boneca demoníaca e mais na construção do clima de tensão. Um desafio e tento.

Se traçarmos uma linha temporal, este filme se passa após o primeiro Annabelle (2014) e antes do primeiro Invocação do Mal (2013), quando a boneca foi trancada em uma redoma de vidro pelo casal de demonólogos Ed Warren (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Varmiga), em uma sala segura no porão de sua residência, repleta dos mais variados e sinistros artefatos. Antes de sair de viagem, o casal chama um padre para abençoar o local, para se certificarem de que a boneca não assombrará ninguém. Eles deixam a filha Judy (McKenna Grace) aos cuidados de Mary Allen (Madison Iseman), uma jovem carismática e responsável, que também traz para a casa sua amiga Daniela Rios (Katie Sarife).

Curiosa sobre a veracidade das reportagens a respeito dos trabalhos realizados pelos Warren, Daniela resolve investigar o tal local onde o casal guarda os objetos. Annabelle, mesmo trancafiada, consegue atrair entidades malignas, fazendo despertar a ira de novos demônios como "A Noiva" e "O Barqueiro", figuras horripilantes e que trazem conflito a narrativa, já que o alvo principal de todos eles é Judy Warren, de apenas 10 anos.

Foto: Warner Bros Pictures

O roteiro, também assinado por Dauberman, concentra as ações dentro da mansão Warren e nas 3 garotas, deixando os momentos de humor a cargo de Bob (Michael Cimino), um balconista de supermercado e crush de Mary Ellen. No entanto, o tom nem sempre acerta. A abordagem sobre bullying e a zombaria das demais crianças com a pequena Judy por conta da profissão dos pais são compreensíveis, mas a presença de piadas chulas sobre namorados e o apelido jocoso dado a Bob, acabam por minar o clima de tensão instaurado, já que em boa parte da obra o público dá risada ao invés de tomar sustos. O terror psicológico não deveria ficar em segundo plano, ainda que funcione sempre que presente.

Os "novos demônios" são bem explorados pela narrativas, condizentes com tudo que já havia sido apresentado até aqui. "A Noiva", soa muito parecida com "A Freira", tanto na caracterização quanto nas aparições; já "O Barqueiro", com duas moedas sobre os olhos, é protagonista da lenda de que "se você não o pagar, sua alma ele vai levar". Os efeitos digitais mantêm a qualidade habitual da franquia, assim como o design de produção, que sempre deixa pontas soltas para a expansão do universo, algo que não deve parar tão cedo.

Vera Farmiga (Godzilla II: Rei dos Monstros) e Patrick Wilson (Aquaman), apesar do pouco tempo em tela, elevam o filme a outro patamar, tamanha a importância do casal Warren para a franquia e a força de suas presenças em tela. Mas o destaque fica mesmo para a jovem McKenna Grace (Capitã Marvel), segura e desinibida, convencendo o espectador em suas ações.

Foto: Warner Bros Pictures

Annabelle 3: De Volta Para Casa é, em grande parte, tudo aquilo que esperávamos dele, uma reunião de entidades sinistras, bons sustos, arrepios e a expansão de um universo que, se não é inovador, ao menos se desenvolve de maneira competente e coerente com sua proposta. Só nos resta esperar pelo próximo capítulo da franquia.

Bom

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